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CARREIRA - Pais bem sucedidos, filhos idem?
Qua, 14 de Setembro de 2011 19:05

Maria da Luz Calegari*/Especial para BR Press

(BR Press) - Um dos maiores receios de pais com filhos adolescentes é que , profissionalmente, eles se decidam por uma área pouco valorizada ou instável. Instabilidade, segundo esses pais, refere-se a profissões que não garantam segurança e certeza de sucesso profissional e financeiro.

Quer um exemplo recorrente? Pais muito bem sucedidos em carreiras tradicionais e socialmente reconhecidas tremem só em pensar que seus garotos possam enveredar pelo campo das artes, não raramente encarado como instável, promíscuo ou pouco rentável.

Visão ampla e realista

Tenho uma coleção de casos que indicam exatamente o contrário. Invoco apenas dois, um estrangeiro e outro brasileiro. O mais extraordinário diz respeito a Warren Buffet, o financista mais bem sucedido do mundo, pois ganhou US$ 45 bilhões em investimentos na Bolsa.

Considerado o homem mais rico do planeta, Buffet jamais alardeou sua fortuna, não se rendeu ao consumo de luxo nem criou os filhos em ambiente de ostentação. Não interferiu, também, nas escolhas que fizeram e ensinou-os a se responsabilizarem por seu próprio caminho, com sucesso ou não.

Felicidade e realização

O filho caçula, Peter Buffet, músico e produtor musical premiado, resolveu contar sua história que, no Brasil, recebeu o sugestivo título A Vida é o Que Você Faz Dela. Totalmente a favor do modo como foi criado, assevera que o dinheiro não garante a felicidade de ninguém.

Entre outras coisas, Peter Buffet observa que o mais importante é formar filhos independentes e garantir a igualdade de oportunidades. Uma frase resume a visão realista e independente de Buffet filho: "Muitos herdeiros cometem o equívoco de achar que nasceram merecedores da fortuna dos pais e deixam de traçar seu próprio caminho".

Para quem não sabe, Warren doou, em vida, tudo que amealhou para instituições que visem a melhorar a vida dos mais necessitados. O próprio Peter dirige uma fundação dedicada à educação de meninas do mundo todo.

O segundo exemplo é a família Moreira Salles. O patriarca, Walter Moreira Salles, além de fundador do Unibanco, foi embaixador do Brasil em Washington e mecenas das artes. De seus três filhos, apenas Pedro continuou no banco. Walthinho e João preferiram o mundo do cinema e, hoje, são cineastas consagrados e reconhecidos dentro e fora do país.

Herdeiros, cuidado

As pessoas citadas já apareceram na mídia para explicar por que escolheram profissões diferentes das de seus pais e, mais que tudo, áreas não tão promissoras, quando examinadas sob o ângulo do sucesso e do retorno financeiro, tão valorizados na época atual.

Conheço casos parecidos, de pessoas que não saem na mídia nem têm sobrenomes tão reluzentes.

Em anos recentes, tive oportunidade de fazer aconselhamento de carreira a jovens que cursavam a faculdade, mas estavam infelizes e tinham notas baixas. A maioria havia escolhido cursos relacionados com a profissão do pai, quase sempre um empreendedor que tinha montado um negócio familiar, e havia prosperado.

Tudo o que os pais desejavam era que os filhos continuassem seu trabalho e, posteriormente, que os netos o herdassem. À custa do sofrimento dos filhos? É um preço muito alto a pagar.

Fazer o que se gosta

Warren Buffet também dá bons conselhos, nesse aspecto. Segundo ele, para ser feliz, a pessoa tem de descobrir o que realmente gosta de fazer. E ter a coragem de fazer...

(*) Maria da Luz Calegari, jornalista e consultora em desenvolvimentodepessoas, é autora de Parcerias de Cama e Mente - Como o TemperamentoTece as Relações (Ed. Ágora, 2008) e coautora deTemperamento e Carreira- Desvendando o Enigma do Sucesso (Ed. Ágora,2006). Fale com ela pelo email Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , pelo Twitter @brpress ou Facebook.