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GENTE - Dama, bruxa… Fernanda Montenegro atrai milhares ao lançar livro de memórias
Ter, 08 de Outubro de 2019 13:19

Fernanda Montenegro lança livro de memórias aos 90 anos. F...

(São Paulo, brpress) -  Numa tarde de domingo nublada (06/10), em torno de mil pessoas lotaram o Theatro Municipal de São Paulo para o lançamento do livro de memórias Prólogo, Ato, Epílogo (Companhia das Letras, R$ 49,90) e ver a grande dama – ou “bruxa”, como ela apareceu vestida, numa fogueira de livros, na capa da revista literária Quatro Um Cinco –  do teatro brasileiro. É como a atriz Fernanda Montenegro, 90 anos, prefere ser chamada e como foi descrita pelo amigo Zé Celso Martinez Corrêa, fundador do Teatro Oficina. 

O evento aconteceu sob uma chuva de aplausos e se repete nesta quarta (09/10), às 19h, na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, Rio – somente 300 senhas serão distribuídas, por ordem de chegada, a partir das 17h. O lançamento do livro em São Paulo fez parte da Primeira Virada do Livro do Festival Mário de Andrade, que contou com palestras, feiras e homenagens (04 a 06/10). Os ingressos para ver a única brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz eram gratuitos e, por isso, a fila serpenteava as laterais do Theatro Municipal desde cedo. Após a abertura das portas, mais disputa: estavam à venda 300 livros autografados por Fernanda e todos queriam seu exemplar.

‘Resistência’

Ao entrar no palco que abrigou a Semana de Arte Moderna de 1922, Fernanda Montenegro foi ovacionada de pé pela plateia lotada por algo em torno de 10 minutos. Depois, a atriz e Zé Celso, convidado a subir no palco, deram suas declarações iniciais sobre a “resistência” que é seu ofício. Nas palavras dos próprios, estavam lá a “bruxa” e o “xamã” do teatro brasileiro. E não só isso. “Divina, diabólica e bruxa”, gritou Celso para descrever a amiga de tantos anos.

Durante os 50 minutos que permaneceu no palco, Fernanda leu trechos do livro, que conta sua história e de sua família entrelaçadas à história de “um país que está sempre começando”. Fernanda começou a carreira de atriz quase que despretensiosamente em uma audição para uma radionovela. Na época, ela dava aulas de português a veteranos de guerra. Ela e sua família viram surgirem e sumirem Vargas, Mussolini, Hitler. E, do alto de sua estatura artística e experiência de vida, garantiu: “Ninguém nem sistema nenhum vai nos calar”. 

(Maria Carolina Soares, especial para brpress)