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CINEMA - Coreana mostra o que brasileiro não vê em Parasita
Qua, 12 de Fevereiro de 2020 14:42

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(São Paulo, brpress) - Um amigo brasileiro me falou que, se você não é coreano, você assistiu a somente 60% de filme Parasita, o grande vencedor do Oscar 2020, porque o filme tem muitas referências culturais que somente os coreanos vão entender – e isso é necessário para apreciar melhor a tresloucada mistura de drama, comédia, suspense e crítica social. Concordo com isso. 

Sou uma coreana que mora no Brasil e gostaria de compartilhar dois detalhes culturais relacionados à questão social que Parasita aborda, que podem te ajudar a entender melhor a nossa cultura e o filme.

Gente educada

Primeiro,  é a importância da educação. A educação é extremamente valorizada e o  sistema educacional coreano é bastante rigoroso. Isso é porque o nome da sua universidade é muito importante para sua carreira e respeito da sociedade. 

No filme, a irmã da família pobre produz um diploma falso de faculdade de uma Universidade coreana prestigiada para a entrevista de aula particular; A irmã também mente sobre ela ter estudo na "Universidade de Illinois", porque os coreanos valorizam muito mais a educação dos Estados Unidos do que a nacional. Além disso, o esforço contínuo para encontrar uma boa aula particular para os filhos é algo necessário para as mães coreanas ricas.

Importado é melhor

O segundo é o valor superestimado de produtos estrangeiros, como dos EUA e da Europa. Em Parasita, os tutores têm seus nomes em inglês (Kevin e Jessica), pois dá mais autenticidade e credibilidade; a dona da casa fala palavras e frases em inglês porque sendo fluente em inglês você é mais respeitado na Coréia. 

A festa na casa da família rica imita um churrasco ao estilo "americano" e acontece no jardim – algo considerado chique e que somente os ricos conseguem fazer em suas casas com jardins – tê-los é sinal de luxo e riqueza. A dona de casa rica também menciona que a barraca do filho dela está bem sob a chuva porque é um produto americano. 

Uísque

Também pode ver as bebidas destiladas alcoólicas, como uísque, na casa dos ricos, enquanto a família "parasita" no começo de filme bebe a cerveja coreana mais barata. A única exceção é a parte em que a dona da casa pede para a empregada fazer Jjapaguri com carne bovina coreana – mas isso é porque a carne bovina coreana é extremamente cara, umas três vezes mais do que a importada.

O fato é que os coreanos, sem distinção de classe social, estão empolgados e celebrando muito os Oscar de Parasita e a barreira histórica que o filme quebrou: ser o primeiro de língua não inglesa a ganhar o prêmio de Melhor Filme. Agora, o diretor é um herói nacional e eu, como boa coreana, celebro essa vitória imensamente e mando meus beijos pro nosso Bong! 

(*) Mijung Kim, 32, é coreana de Seul, mora no Brasil há quatro anos e é proprietária do NUNA Bar, em São Paulo.