Acesse!


BRPRESS NO TWITTER

EDUCAÇÃO - Escola reconhece importância de greve pelo clima
Ter, 03 de Março de 2020 18:07

Para participar da greve pelo clima e serem liberados da esc...

 

(Bristol, brpress) - Dia 28/02, última sexta-feira de fevereiro de 2020, uma greve de estudantes por medidas mais efetivas contra as mudanças climáticas aconteceu em Bristol – a cidade mais vanguardista em iniciativas sustáveis do Reino Unido. A ativista sueca Greta Thunberg foi até lá, dar seu apoio e, claro, fazer um contundente discurso. 

 

Recebi uma carta da escola pública onde meu filho de 13 anos estuda. A escola reconhece a importância do evento e o desejo de muitos alunos e famílias de irem à manifestação. O clima é parte do currículo. 

 

Direito de manifestação

 

Porém, para participar da greve e serem liberados da escola, os alunos precisaram apresentar carta por escrito dos pais. Trata-se de uma autorização, mas as faltas serão contabilizadas normalmente. É um bom exemplo de como funciona um país que reconhece direitos e deveres individuais e preserva o direito universal de manifestação ao mesmo tempo.

 

Interessante também a escola ser didática em relação ao que é uma greve. Quer participar? OK, mas haverá consequências. E para quem não quiser, haverá aula. Em um longo comunicado,  a escola sugere que os alunos tomem ciência das reivindicações, pois não há greve sem demandas. 

 

 Bristol é uma cidade de longa tradição de lutas trabalhistas. Grandes greves agitaram a cidade no final do século XIX. E também rebeliões. Principal lição: uma sociedade menos desigual e mais informada de seus direitos e deveres não se atinge sem mobilização – às vezes, ou melhor, na maioria das vezes, com tensões e lutas. 

 

(Rogério Pacheco Jordão*, especial para brpress) 

 

(•) Jornalista e consultor, é autor do livro Crime (quase) Perfeito - Corrupção e Lavagem de Dinheiro no Brasil e produziu as cartilhas Acesso à Informação Pública e Olho Vivo no Dinheiro Público, Seu tema de doutorado na PUC-RJ, defendido em 2015, é sobre o mercado de escravos do Valongo que existiu de meados do século XVIII até 1831, como um lugar de memória, ou seja, de história viva. Atualmente vive em Bristol, Inglaterra.