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POLÍTICA - Quem ‘era’ Mandetta antes da COVID-19?
Dom, 12 de Abril de 2020 12:24

Luiz Henrique Mandetta: ministro da Saúde virou principal a...

 

(brpress) - Principal ativo político até onde for a COVID-19 ou até as eleições de 2022 e protagonista na administração da crise proveniente do avanço do novo coronavírus, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), foi alçado ao status de herói nacional – posto que tirou do ex-juiz e ministro da Justiça, Sergio Moro. 

 

 Cotado para concorrer à presidência, a candidatura do ministro Mandetta pode sofrer turbulências devido à ação por improbidade administrativa – o mesmo recurso jurídico que o ministério Público Federal (MPF) estuda aplicar, segundo nota divulgada em 11/04, em prefeitos e governadores que flexibilizarem medidas de isolamento social durante a pandemia.

 

 A ação por improbidade administrativa envolvendo Mandetta, que segue em julgamento na Justiça Federal, foi aberta em 2015. Foi quando o MPF do Mato Grosso do Sul ajuizou duas ações de improbidade administrativa por fraudes na licitação e implantação do sistema de Gestão de Informações em Saúde (GISA), pela prefeitura de Campo Grande. 

 

Relações perigosas

 

 De acordo com o MPF, foram denunciados o ex-prefeito Nelson Trad Filho (PMDB), o ex-secretário de Saúde Pública – cargo ocupado por Mandetta, a convite do então prefeito, seu primo –,  e outras 24 pessoas, entre elas Carlos Alberto Andrade e Jurgielewicz, nomeado como atual secretário-executivo adjunto no ministério da Saúde. 

 

 Mandetta, que assumiu a secretaria municipal de Saúde de Campo Grande em 2004, em plena epidemia dengue – nega irregularidades. 

 

 Diante da tensão e divergências  evidentes na cada vez mais deteriorada relação do ministro da Saúde com o presidente Jair Bolsonaro, que ameaçou demiti-lo e segue contrariando as orientações de isolamento social ratificadas pelas autoridades sanitárias, a pergunta que não cala é: como Mandetta se aproximou de Bolsonaro? 

 

 Após ser cotado como o candidato do DEM ao governo do estado do Mato Grosso do Sul em 2018 e desistir de concorrer, o médico ortopedista foi levado para o governo federal pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que também é médico – hoje rompido com Bolsonaro, durante a crise do presidente com Mandetta, por causa das divergências sobre o isolamento social horizontal (em que todos, independente de ser grupo de risco, devem ficar em casa).

 

Maconha medicinal 

 

 Mandetta e Bolsonaro se conheceram no Congresso Nacional, fazendo oposição ao PT – em 2010, Mandetta saiu do PMDB e foi eleito deputado federal pelo DEM  –, principalmente durante o segundo governo de Dilma Roussef, quando, em 2014, o atual ministro da Saúde foi reeleito. Seu mandato foi marcado pelas fortes críticas ao programa Mais Médicos – substituído pelo programa Médicos pelo Brasil, que ele lançou no governo Bolsonaro –, por ser contrário à legalização do aborto e relativamente aberto ao uso medicinal da maconha, postura que mudou ao virar ministro. 

 

 Há uma regulamentação em análise na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que propõe liberar o cultivo da maconha para elaboração de medicamentos, que hoje só podem ser importados com autorização e têm alto custo. Segundo a Anvisa, 67,8% das contribuições recebidas em consulta pública sobre a proposta consideram que traz impactos positivos. Mandetta chegou a afirmar que não via problemas na proposta da agência, desde que “seguisse princípios e descobertas científicas”. 

 

 Mas após o ministro da Cidadania, Osmar Terra (PMDB), outro médico – cotado para substituir Mandetta na pasta da Saúde, caso ele fosse demitido pelo presidente – e o próprio Bolsonaro se posicionarem radicalmente contra a regulamentação, Mandetta mudou de posição. Atualmente, Mandetta mantém o silêncio sobre o projeto de lei que prevê a legalização do plantio da maconha para fins medicinais.  

 

Liderança midiática

 

 Apesar do ambiente hostil e instável, o fato é que Mandetta emerge da crise proveniente do avanço do novo coronavírus como uma nova liderança – não pelo fato de ter sido eleito, “qualidade” que ele atribui a Bolsonaro, mas porque se pauta na racionalidade científica dos argumentos pela necessidade do isolamento social e pelo jogo político. 

 

 Fica clara e insalubre a disputa de poder do presidente com seu mais importante e midiático ministro do momento – ainda mais após Mandetta ter sido convidado para ser secretário de Saúde do estado de São Paulo, pelo governador João Dória (PSBD), atual arqui-rival de Bolsonaro (o mesmo que apoiou abertamente na campanha à presidência), e cuja política de saúde pública não só reforça o isolamento social mas promete endurecê-lo, com multas e prisões, caso não seja obedecido com mais rigor pelos paulistas.

 

(Juliana Resende, brpress)