11/09 – 10 anos: um balanço, as cifras

(Londres, BR Press) – Em 11 de setembro de 2001, 19 piratas aéreos islâmicos (15 deles sauditas) sequestraram quatro aviões com 266 passageiros. Todos eles morreram, assim como 2.823 nas Torres Gêmeas e 125 no Pentágono.No entanto, há mais civis mortos pelas bombas anglo-americanas no Afeganistão que por todos os atentados atribuídos à Al Qaeda no Ocidente. Estima-se que 25% das bombas que caíram sobre o Afeganistão não atingiram seu alvo e que outros 10% podem ter se transformado em minas.

As Torres Gêmeas chegaram a ser o edifício mais alto do mundo e o símbolo da pujança econômica da cidade-sede das Nações Unidas e de Wall Street. Estas funcionavam como uma cidade onde, a cada dia, trabalhavam 50 mil pessoas e as visitas eram da ordem de aproximadamente 140 mil.

Perdas em US$ e vidas

As perdas em propriedades e seguros produzidas no referido ataque superam os US$ 21 bilhões. As perdas para as companhias de seguros podem ir além dos US$ 50 bilhões. Depois do macro atentado, calcula-se que foram perdidos 100 mil empregos na área baixa de Manhattan, 237 mil na indústria de viagens norte-americana, nos primeiros cinco meses seguintes, e que, até o fim de 2002, teriam sido perdidos 1.8 milhões os empregos nos EUA.Vinte e seis dias depois do 11 de Setembro, o Afeganistão foi atacado pela maior coalizão bélica da história.

Mais de US$ 1 milhão mensais em gastos militares e de 220 mil bombas foram despejadas pelos EUA nos primeiros seis meses do conflito na região.As exportações afegãs eram da ordem dos US$ 70-80 milhões. Os EUA, em troca, exportaram no ano de 2000 US$ 776 bilhões. A renda média anual de um afegão era de US$ 960, enquanto que a de um norte-americano era de US$ 36.200 mensais.

Antes dos bombardeios no Afeganistão havia 24,6 km de ferrovias e 2.793 km de estradas pavimentadas. Nos EUA há 225.028 km de vias férreas e 5.733.028 km de estradas asfaltadas. Antes do 11 de Setembro havia no Afeganistão um provedor de internet, 29 mil telefones, 100 mil aparelhos de TV e 167 mil rádios.

Hoje, há onze fatos dez anos depois do 11 de Setembro:

1) Não houve nenhum novo atentado nos EUA, mas sim na Espanha, Reino Unido, Marrocos, Turquia, Índia, Indonésia, etc.

2) Afeganistão, Iraque e, agora, a Líbia foram bombardeados ou invadidos. Os EUA conseguiram remover dali governos que lhe eram hostis, mas gerando uma crescente resistência armada.

3) Saddam não apenas era o inimigo de Bush, mas um alvo contra os fundamentalistas sunitas (Al Qaeda) e xiitas (Irã), que se promoveram com sua queda.

O novo comandante militar de Trípoli é um antigo simpatizante de Bin Laden.4) A guerra antiterrorista custou mais de 100 mil vidas e já produziu mais de 5 milhões de desalojados.

5) Os EUA investiram nesta guerra uma cifra maior do que custou a guerra do Vietnã, o equivalente ao valor necessário para sanear todas as dívidas externas das nações pobres.

6) Preocupados com a ocupação do Iraque, os EUA se distraíram da captura de Bin Laden e dos chefes talibãs, que se agigantaram, gerando grande oposição dentro do Islã e no resto do mundo. Pouco antes do décimo aniversário do 11 de Setembro, Bin Laden foi morto, mas a Al Qaeda logrou expandir-se.

7) A Al Qaeda deixou de ser uma seita marginal e tornou-se um movimento global, com militantes nativos dentro dos estados alinhados com Bush.

8) O Irã valeu-se dos EUA para eliminar dois vizinhos inimigos para colocar aliados seus nos governos do Iraque e do Afeganistão, enquanto avança na Síria, no Líbano e na Palestina.

9) A guerra no Iraque fez com que os EUA descuidassem do seu “quintal”, onde a esquerda tem avançado: Brasil, Uruguai, Bolívia,Equador, El Salvador, Nicarágua e Venezuela possuem governos que se autoproclamam socialistas, enquanto que Paraguai, Argentina e Peru possuem presidentes de “centro-esquerda”. Chávez reforçou seu discurso anti-EUA.

10) Os EUA perderam o apoio mundial que obtiveram frente aos atentados. Rússia, China, União Europeia e América do Sul vêm se distanciando da potência norte-americana.

11) Todos os governantes que apoiaram os EUA na invasão do Afeganistão já caíram, e Bush passou os últimos meses de seu mandato como um dos presidentes mais impopulares da história de seu país.

(*) Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics. É um dos analistas políticos latino-americanos mais publicados do mundo. Tradução: AngélicaCampos/BR Press. Fale com ele pelo e-mail colunistas@brpress.net, pelo Twitter @brpress e/ou no Facebook.