Mulher-Maravilha 1984 é golpe final na derrota de Trump

Ela regenera multidões de insensatos; freia arroubos megalomaníacos dos predadores alfa que têm pavor de serem perdedores e que se fortalecem no caos e na mentira
Por Juliana Resende

(brpress) – “Odeio revólveres”, diz Diana Prince, em Mulher-Maravilha 1984, que chega aos cinemas brasileiros dia 16 de dezembro, após vários adiamentos devido à pandemia. Enquanto assistíamos ao filme, em sessão para jornalistas, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubava a resolução de Bolsonaro que zerava a0 taxa de importação de revólveres e pistolas – usados em 72,5% das mortes violentas no Brasil.

Diana adoraria saber disso. Também ficaria lisonjeada de ser um antídoto à desesperança e à truculência de war lords do capitalismo selvagem como Trump – de quem o vilão Maxwell Lord (Pedro Pascal, cafona e louco, como deve ser) é uma evidente paródia. 

Diana e vacina 

Nestes tristes trópicos ainda não temos vacina contra a Covid mas já temos Mulher-Maravilha 1984 (nos EUA, o filme estreia em 25 de dezembro nos cinemas e na HBO Max; no Reino Unido, WW1984 chega com a vacina – mas tem o Brexit a tiracolo).

Assisti ao filme numa das duas sessões para jornalistas em São Paulo e sai do cinema com uma certeza: a força e a nobreza dessa semi-deusa amazona e seu Laço da Verdade vêm nos salvar no final do segundo tempo de 2020. 

Superpoderes

Ela regenera multidões de insensatos; freia arroubos megalomaníacos dos predadores alfa que têm pavor de serem perdedores e que se fortalecem no caos e na mentira.

Ela empodera as mulheres – da garotinha negra quatro olhos à colega mala de trabalho transformada em Mulher-Leopardo (Kristen Wiig). Ela destrói armas – assim justifica seu ódio. Ela atenua as desgraças do mundo revogando desejos egoístas – até o seu próprio. 

Tudo isso, em plena Guerra Fria, E com um namorado que retorna do pós-Segunda Guerra e reaparece do nada usando pochete nos anos 80. Em cenas de ação de tirar o fôlego – aquele que a gente tinha na pista de dança quando tocava New Order (Blue Monday é tema do filme, com trilha chique de Hans Zimmer).

Ombreiras e Armadura Dourada 

Diana Price não desce do salto para combater e salvar incautos vestindo calças legging. Também consegue ser charmosa usando ombreiras. 

Sua roupa de gala não é aquele vestido branco esvoaçante com fendas tão longas quanto suas pernas. É a  Armadura Dourada, traje especial da personagem incluído nos quadrinhos da DC Comics em 1996, que tem, segundo a atriz Gal Gadot, 284 peças e “é bem pesado”.

MM1984, o filme 

A cara de boneca e corpo de Barbie de Gal Gadot contrastam com a personalidade forte e independente da Mulher-Maravilha (ela não foi criada para servir de interesse amoroso de super-heróis masculinos). 

Sua empatia e altruísmo lembram muito Clark Kent em Superman, o filme que arrebatou corações em 1978. Tem até um cristal que confere superpoderes aos que dele se servem.

Jus à origem

Diana Prince é uma linda personagem. Gal Gadot, a diretora Patty Jenkins e os produtores (incluindo Zack Snyder)  revigoram com dignidade as memórias que temos da série dos anos 70 protagonizada por Lynda Carter e entregam tudo que um blockbuster de Hollywood deve ter. 

Wonder Woman 1984 honra sua trajetória feminista iniciada nos quadrinhos dos anos 40 e soa como música para nossos ouvidos cansados pela pandemia e pelos desgovernos. Mulher-Maravilha 1984 é cinema-esperança. Joga luz – ou melhor, glitter – nas trevas. 

Foto: Mulher-Maravilha veste Armadura Dourada em 1984. Warner Bros. Studios