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Invadir a Líbia?

(Londres, brpress) - Caso ocorra uma intervenção militar estrangeira, Kadafi poderia se transformar no líder da resistência nacional e do mundo muçulmano. Por Isaac Bigio.

Isaac Bigio*/Especial para brpress

(Londres, brpress) – Todas as potências ocidentais condenam Kadafi e conseguiram que as Nações Unidas imponham uma série de sanções a seu regime. A questão está em saber se estas nações podem ou não estar dispostas  a intervir militarmente na guerra civil líbia.

O novo primeiro ministro britânico David Cameron aventou esta possibilidade. Propôs dar armas e dinheiro aos insurgentes, que os aviões da Otan patrulhem o céu líbio, podendo derrubar aviões de Kadafi, e até o envio de tropas para a Líbia.

Barack Obama, ainda que afirme querer ajudar os opositores,  não acha conveniente declarar um veto ao governo líbio para usar seu espaço aéreo, assim como a Rússia – para a qual esta medida é “supérflua” –, e a China podem exercer seu veto contra uma medida desse porte no Conselho de Segurança da ONU.

Reação muçulmana

A Turquia, principal aliado muçulmano do Ocidente, rechaça esta possibilidade.
Na última década, os exércitos anglo-americanos ocuparam três regiões muçulmanas: as da ex-Iugoslávia, Afeganistão e Irã. Na primeira, contaram com a simpatia da população muçulmana local (bósnios e albaneses kosovares), que viram na Otan um aliado contra a Sérvia.

No entanto, as duas últimas guerras geraram muita resistência entre os muçulmanos destes países, assim como entre os 1 milhão e 500 mil deles espalhados pelo mundo. Além disto, estas guerras produziram imensas perdas humanas e materiais, o descrédito dos EUA , o crescimento do “anti-imperialismo” muçulmano e latino-americano, e uma pressão interna dentro das mesmas potências invasoras (que levou  todos os mandatários que apoiaram a invasão a Bagdá a perder seus cargos).  

Devido ao fato de a Otan estar atolada no Iraque e no Afeganistão, esta foi incapaz de bombardear o Irã e a Coréia do Norte (que vêm se dotando de usinas e armas nucleares) e de frear o crescimento da Al Qaeda.

Interesses

A tese de intervir militarmente na Líbia pode ser vista com simpatia em diversos círculos conservadores ocidentais como uma forma de querer controlar as rebeliões árabes em curso. E também para seguir o caso iraquiano de abrir caminho para uma série de corporações que se encarreguem de conseguir contratos bélicos e pós-bélicos na Líbia, cuja riqueza petrolífera é similar à da Venezuela.

Apesar disto, Kadafi ameaçou transformar a Libia em um novo Vietnã ou Afeganistão, e tem mostrado capacidade para conter a rebelião que o quer depor, do leste ao oeste de seu país, e para gerar uma base social e militar em torno da capital, Trípoli, e de várias cidades.

Ainda que a oposição tenha tomado como sua bandeira a da deposta monarquia líbia, e que vários de seus setores peçam uma intervenção militar estrangeira, se esta ocorrer Kadafi poderia tirar proveito dela para se transformar no líder da resistência nacional, obtendo certo respaldo dentro de seu país e do mundo muçulmano e gerando uma nova onda de atentados como o de Frankfurt, na quarta-feira, 2 de março.
Chávez  conseguiu o aval da Liga Árabe para criar uma comissão internacional mediadora entre o regime e a oposição,  saudada por Kadafi, buscando ganhar tempo e romper barreiras  diplomáticas.

(*) Analista de política internacional, Isaac Bigio vive em Londres, onde lecionou na London School of Economics, e também assina coluna no jornal peruano Diario Correo. Fale com ele pelo e-mail [email protected] ou pelo Blog do Leitor. Tradução: Angélica Campos/brpress.

Isaac Bigio

Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics . Tradução de Angélica Campos/brpress.

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