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Instalação The EndInstalação The End

Jac Leirner: até a última ponta

(Edimburgo, brpress) - Primeira individual da artista paulistana na Escócia é uma reflexão irônica sobre obsessão em colecionar e adição em fumar. Por Juliana Resende.

(Edimburgo, brpress) – Cria da geração 80, a artista plástica paulistana Jac Leirner é um dos destaques do Edinburgh Art Festival –  parte da avalanche de festivais que inundam Edimburgo durante o verão europeu –, com sua primeira individual na Escócia: Add it Up (“Adicione”, em tradução livre). São dois andares com trabalhos intrigantes sobre obsessões, vício, compulsão e pequenas transgressões e delitos.

Leirner leva sua loucura tão a sério que consegue transformá-la em arte. Colecionadora de objetos improváveis e até mesmo descartáveis, ela apresenta trabalhos que fizeram sua fama nos anos 80, no Brasil e exterior. De “casa”, ela traz a ironia e desgraça da hiperinflação com Blue Phase (1991), instalação reunindo nada menos que 50 mil notas de Cruzeiros, Cruzados e Cruzados Novos. 

Cinzeiros roubados 

Ao viajar com mais frequência, Jac decidiu guardar cartões de embarque, tíquetes de malas e juntá-lo a cinzeiros roubados das poltronas de aviões (afinal, eles não tinham mais uso após a proibição do fumo a bordo). Por isso, a instalação com esses materiais chama-se Corpus Delicti – um termo em latim para um crime flagrante. Na verdade, não flagrado – senão, a realização da instalação não teria sido possível. 

A obra é, na verdade, uma peça de uma série sobre a adição de Jac Leirner em cigarros e maconha. O hábito de fumar está em outros trabalhos expostos como The Reinforcer, Simon Bird, Hip Hop, Flash Filters, Some to Go e Five to Go – todos feitos com papéis de enrolar cigarros e embalagens. Skin (Randy King Size Wired, de 2003), é feita com 2.448 sedas de enrolar cigarros coladas numa parede branca com sua própria cola, com um efeito surpreendente. 

Cores e texturas interessam Leirner mais que qualquer forma. Mas a transparência também tem sua significância. Em Pulmão (“Lung”, em inglês), de 1987, papéis celofane de enrolar cigarros são colocados dentro de uma caixa de acrílico. Talvez seja a imagem que a artista desejava ver na radiografia de seu próprio pulmão, depois de parar de fumar . Por isso, o trabalho final é The End (2016) – varais entrecruzados com centenas de pontas de baseados que ela fumou (e colecionou). 

The Fruit Market Gallery (ao lado da estação ferroviária Edinburgh Waverly) – Até 22/10/17 (grátis)

(Juliana Resende/brpress, viajou a Edimburgo a convite da VisitBritain)   

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.

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