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‘Agora eu quero gritar’

(Rio de Janeiro, brpress*) - Frase de Vanessa Félix, mãe de Ágatha Félix, morta pelo polícia no Rio, dá título a documentário; ela faz ato de um ano do assassinato da filha e pede justiça. Por Juliana Resende.

(Rio de Janeiro, brpress*) – ‘Agora eu quero gritar’. A frase dita por Vanessa Félix, mãe da menina Ágatha Vitória, assassinada pela polícia no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro, dá nome a um novo documentário sobre uma realidade bem brasileira. Agora Eu Quero Gritar (Right Now I Want to Scream – Police and Army Billings in Rio, Brasil/Reino Unido, 2020) trata da violência de estado nas favelas do Rio e é coproduzido pela editora da brpress, a jornalista Juliana Resende.

 “Quero falar sobre isso, quero falar sobre Ágatha, porque gosto de falar sobre ela, porque ela é o meu orgulho e se eu pudesse chegar ao último andar e gritar por ela eu iria, porque ela era uma garota inacreditável. Agora eu quero gritar!”, diz Vanessa Félix num dos depoimentos extremamente contundentes do filme. “É por isso que digo sim, vamos conversar sobre o que aconteceu”, completa.

 Vanessa fala da filha e do desenrolar do caso constantemente em seu Instagram e segue em campanha por justiça.Tinha a esperança de que o primeiro aniversário de morte da filha coincidisse com a primeira audiência do julgamento do policial que atirou de fuzil em outro alvo e matou Ágatha. Mas devido à pandemia, a audiência que aconteceria em 26/11/20 foi adiada para 08/04/2021, pois o policial réu alegou estar com Covid-19.

 “Já está claro que não havia confronto nem operação policial no local e que a bala que matou a menina partiu do fuzil do PM”, adianta o advogado do caso, Rodrigo Mondego, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Rio de Janeiro (CEDDH) da OAB-RJ, ouvido pela brpress.  Ágatha foi a quinta criança morta pela violência de estado no Rio em 2019.

 Homicídio qualificado

O Ministério Público do RJ classificou o crime como homicídio qualificado, ou seja: cometido em circunstâncias que tornam o crime, considerado hediondo, mais grave do que já é.  A pena para esse crime pode chegar a 30 anos de prisão. O policial militar Rodrigo José de Matos Soares virou réu pelo crime de homicídio doloso, por motivo torpe (ou seja, fútil) e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

“O PM teme ir a júri popular. Ele disse que pretendia ‘atingir bandidos de moto.. Mas a bala atingiu Ágatha, que estava dentro de uma Kombi, nas costas”, relata Mondego. No decorrer da investigação, o motorista da Kombi disse ter sido vítima de intimidação. Mas o advogado prefere não entrar em detalhes sobre o ocorrido, para evitar que envolvidos tentem prejudicar as investigações.

Vanessa Félix seguia mais confiante na justiça até 31 de março deste ano, data que em Ágatha completaria 9 anos e a mãe da menina programava a ação social Ágatha Vitória Vive, no Complexo do Alemão. Mas o evento foi adiado por causa da pandemia. Em julho, houve um revés.

PL barrado

A Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) barrou o projeto de lei PL 1622/2019, inspirado no caso Ágatha. O projeto das deputadas Renata Souza (PSOL), Martha Rocha (PDT), Dani Monteiro (PSOL) visava à priorização de investigações de mortes de crianças e adolescentes nas quais os suspeitos fossem oficiais do estado.

Porém, a comissão determinou que ele fosse anexado a um outro projeto de lei – PL 1495/2019, que também busca autorizar a priorização da apuração de crimes hediondos –, que tem entre suas previsões a investigação prioritária de crimes contras crianças e adolescentes, mas sem a especificidade de eles terem sido cometidos por policiais ou agentes do estado.

“Nós mães de filhos executados tínhamos a esperança de obtermos um tratamento mais digno. O que eu tenho para dizer é que nós queremos e conseguiremos ser reconhecidas por esta injustiça. Não vou parar e não vou desistir – e espero que outras mães também sigam lutando”, diz Vanessa.

Assista a um trecho do depoimento de Vanessa Félix no documentário Agora Eu Quero Gritar: 

(*) Conteúdo produzido em colaboração com o documentário Agora Eu Quero Gritar: Mortos pela Polícia e Exército no Rio – Uma Conexão entre Brasil e Haiti (Brasil/Reino Unido, 2020), do qual a jornalista Juliana Resende, editora da brpress e autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira, é co-produtora.

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Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.