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A Forma da Água: latinidades submersas na América dos anos 50. Foto: DivulgaçãoA Forma da Água: latinidades submersas na América dos anos 50. Foto: Divulgação

A Forma da Água ‘in South American way’

(brpress) - A Forma da Água é o mais “latino” dos filmes desta temporada de Oscar. Globo de Ouro de Melhor Diretor e Melhor Trilha Sonora, fábula fantástica venceu também o prêmio máximo do Producers Guild Awards.

(brpress) – A Forma da Água (The Shape of Water, EUA, 2017) é o mais “latino” dos filmes desta temporada de Oscar. Globo de Ouro de Melhor Diretor e Melhor Trilha Sonora, a fábula fantástica do diretor mexicano Guillermo Del Toro venceu também o prêmio máximo do Producers Guild Awards (PGA) e segue como um dos favoritos da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, por unir temas caros ao momento: mulheres, inclusão, assédio, imigração, diversidade. 

 Com uma história de amor, Del Toro colocou na tela toda sua sensibilidade e referências latinas: dança, Carmen Miranda – ela canta Chica Chica Boom Chic, na trilha –; Amazônia, cultura indígena, natureza, subemprego, romantismo e calor humano. A criatura aquática pela qual a faxineira Elisa Esposito (Sally Hawkins) se apaixona tem muito do mito do boto – o peixe que se transforma em uma figura masculina sedutora. 

 A Forma da Água tem também um quê de La La Land “molhado”, já que a personagem central – muda, solitária e sonhadora – assiste a musicais e mora em cima de um antigo e decadente cinema, onde clássicos dos anos 50 são projetados. Del Toro joga bem com clichês da Guerra Fria e mostra a arrogância e brutalidade da militarização da ciência e do capitalismo americano. Seria um desabafo do mexicano na Era Trump?

 Trata-se de um filme difícil de ser decifrado pelo título, mas altamente cativante e de uma delicadeza ímpar, ao mesmo tempo que trata de questões e sentimentos desconcertantes: isolamento, sexualidade, deficiência, violência, racismo, envelhecimento, desemprego, preconceito, impotência e repulsa ao desconhecido (no caso, o “monstro”). O sistema é opressor mas os oprimidos se rebelam e buscam a felicidade, acima das consequências. 

 Ainda que submersos, os bons triunfam sobre os maus. É aí que reside o fascínio de Hollywood pelo filme, cujo final feliz improvável lava a alma de plateias ao norte e, principalmente, ao sul do Equador. 

Sucesso de crítica em diversos festivais, incluindo o 61o. BFI London Film Festival, o Festival de Cinema de Londres, no qual a brpress assistiu ao filme e conversou com Del Toro no tapete vermelho,  o filme estreia nos cinemas brasileiros em 25/01.

Leia entrevista com Guillermo del Toro.

(Juliana Resende/brpress)

 Assista ao trailer de A Forma da Água: 

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.