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John BoyegaJohn Boyega

BAFTA premia negros mas descarta filmes LGBT

(Londres, brpress) - Premiação britânica é mais liberal que o Oscar? Cate Blanchett e time de Carol, que saiu de mãos vazias, comentam sobre diversidade. Por Juliana Resende.

(Londres, brpress) – Em Berlim, Meryl Streep bradou: “Somos todos africanos”. Em São Paulo para abrir exposição sobre sua obra, o cineasta Tim Burton falou, na lata: “Não dou a mínima para o Oscar”. Mas é a pressão pela inclusão de indicados negros no Oscar 2016 é que parece estar ofuscando a mais importante premiação da indústria do cinema (em 28/02). George Clooney estrilou, Will Smith fez coro e Spike Lee tomou as dores pelo fato de não haver indicados negros este ano à estatueta. A questão da representatividade da diversidade sexual também é problema – ainda que para Cate Blanchett, estrela do filme Carol (sobre o amor entre duas mulheres), “essa discriminação por opção sexual já deveria ter sido superada”. Carol concorre ao Oscar em seis categorias: Melhor Atriz (Cate Blanchett), Melhor Atriz Coadjuvante (Rooney Mara), Melhor Figurino, Melhor Fotografia, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Trilha Sonora Original.

    De olho na patrulha não só pela inclusão dos negros mas de representantes da diversidade sexual no Oscar, o BAFTA, maior prêmio cinematográfico do Reino Unido, da British Academy of Film and Television Arts, mais conhecido como o ‘Oscar’ britânico, deu um tapa com luva de pelica no prêmio americano e premiou, no último domingo (14/02) Sidney Poitier – o primeiro ator afro-americano a ganhar um Oscar, de Melhor Ator, por  Uma Voz nas Sombras Lillies (1963). Ele ganhou um BAFTA de honra por sua carreira extraordinária e contribuição ao cinema. Mr. Poitier, mais conhecido pelo filme Ao Mestre com Carinho (1967), não pode receber o BAFTA pessoalmente, devido a orientações médicas de que não deveria viajar de Los Angeles a Londres, por riscos de saúde (ele tem 88 anos). Mas vestiu seu smoking e, em um vídeo acompanhado pelo ator também negro Jamie Foxx e sua filha, Tamila Poitier, agradeceu, solene, à premiação.

Lésbicas

    Falando durante o 59o. BFI London Film Festival sobre a possível polêmica – e até boicote – que Carol pode sofrer em países onde os direitos dos homossexuais não são respeitados, devido à sua temática lésbica, Cate Blanchett discursou longamente sobre a condição da mulher em todas as instâncias da sociedade (e não somente na indústria do cinema), comparando-a a dos negros, e sobre “quanto um relacionamento entre duas adultas deveria ser encarado com naturalidade” e jamais ser motivo para qualquer perseguição, muito menos de dificuldades para conseguir financiamento. Carol, baseado no livro The Price of Salt, de Patricia Highsmith – clássico da literatura gay feminina – demorou 20 anos para sair do papel, enfrentando todo tipo de preconceito, conforme relatou a produtora Elizabeth Karlsen à brpress. 

    Embora Carol tenha tido nove indicações ao BAFTA e tenha saído de mãos vazias – assim como o drama transgênero A Garota Dinamarquesa, sobre a primeira pessoa a fazer uma cirurgia de mudança de sexo de que se tem notícia no mundo, vindo em segundo lugar com três indicações (Melhor Filme Britânico, Melhor Atriz e Melhor Ator) e também deixando a Royal Academy of Arts, onde aconteceu a premiação, a ver navios –, os organizadores do BAFTA não deixaram passar a oportunidade de faturar em cima da suposta falta de diversidade do Oscar. E premiou também outro ator negro: o inglês John Boyega, que protagonizou Star Wars: O Despertar da Força, com o BAFTA de Astro em Ascensão.

    Caso o BAFTA tenha mesmo honrado os atores negros com as premiações do veterano Poitier e do jovem Bodega, o que dizer então dos representantes da comunidade LGBT, como Carol e A Garota Dinamarquesa? Pelo menos não houve censura aberta a estes filmes pelos circuitos de exibição. A produtora de Carol, Elizabeth Karlsen, conta, animada, que o filme foi vendido para a Turquia, onde a coisa não é fácil para gays. Mas emenda: “Na China e Rússia não vamos conseguir vender o filme, embora certamente haverão sessões clandestinas”. O diretor Todd Haynes descontrai: “Uma jornalista chinesa disse que só de verem o trailer, milhões de mulheres chinesas estão saindo do armário! [risos]. A culpa é de Rooney [Mara] e Cate, essas lindas!”

Enfurecida

    Cate Blanchett, que foi a musa do 59o. BFI London Film Festival, onde foi premiada com o British Film Institute Fellowship (pela carreira) e no qual também estrelou o “newsroom drama” Truth (além de Carol), foi questionada por um jornalista do Sun, na coletiva de imprensa de Carol, sobre o que achava dos “comentários que saíram na imprensa questionando sua própria sexualidade” depois da exibição do filme. Cate ficou visivelmente enfurecida: ”Acho muito engraçado como alguns jornalistas se sentem à vontade ao me perguntar se tive muitos casos lésbicos quando interpreto alguém que tem um affair com uma mulher num filme, mas não me perguntam quantos já matei se interpreto uma assassina. Não, eu nunca me apaixonei por uma mulher, se é isso que você quer saber. Tenho estado bastante ocupada cuidando dos meus quatro filhos”.

(Juliana Resende/brpress)

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.

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