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Colin Warner é interpretado por Keith Stanfield em Crown Heights. Foto: DivulgaçãoColin Warner é interpretado por Keith Stanfield em Crown Heights. Foto: Divulgação

Crown Heights faz poesia com injustiça

(Londres, brpress) - Premiado no Sundance Film Festival, filme sobre luta real de homem condenado e preso 20 anos por crime que não cometeu é destaque no Sundance London. Por Juliana Resende.

(Londres, brpress) – Preparem-se corações e mentes porque Crown Heights (EUA, 2017) vem aí para continuar chacoalhando plateias, escancarando as injustiças da sociedade racista americana no cinema. 

O filme, um dos destaques do Sundance London, que acontece em Londres de 01 a 04/06, é sobre a história verídica de Colin Warner, que passou praticamente toda a vida adulta preso por um crime que não cometeu.

Crown Heights é mais um libelo contra um sistema que condena “pobres e pretos” a não ter direito à liberdade e oportunidades, engrossando o caldo de filmes com essa temática como o vencedor do Oscar Moonlight, Fences, O Nascimento de Uma Nação e Estrelas Além do Tempo.

Denúncia

Crown Heights (ainda sem tradução nem data de estreia no Brasil) é também sobre a importância da persistência – Colin se tornou um ativista, incentivando outros condenados e presos injustamente a não se calarem. 

Foi premiado como o Melhor Filme Dramático americano pela audiência na “matriz” do Sundance, o maior festival independente da atualidade, criado e dirigido por Robert Redford, que acontece em janeiro, em Utah, nos EUA, e em junho em Londres, em versão reduzida, com os filmes que mais se destacaram na edição americana. 

Com estreia em circuito comercial nos EUA marcada para agosto, Crown Heights acaba alertando que entre os 2.4 milhões de presos atualmente na América (maior população carcerária do planeta) – cujas questões internas Donald Trump diz ser prioridade em seu governo –, pelo menos 120 mil alegam não ter tido um julgamento justo e ético.  

São esses números assustadores que assombram quem decide fazer esse submundo submergir – primeiro os produtores do programa This American Life, veiculado em rádios públicas americanas e como podcast gratuito, no qual o diretor e roteirista Matt Ruskin se inspirou; depois, o público.   

O difícil é saber se aquela que é considerada a maior democracia do mundo e outros países que se espelham nela estão dispostos a fazer o mea culpa. Foi um inconformismo descomunal que moveu Carl King ( interpretado por Nnamdi Asomugha), amigo de Colin Warner (vivido por Keith Stanfield), a quem foi, em grande parte, atribuída a vitória na batalha para que a justiça fosse feita e as arbitrariedades que levaram aquele homem negro e pobre a ser encarcerado aos 18 anos, em plena na Nova York dos anos 80, desmascaradas. 

Poesia

Com uma linguagem quase documental mas também poética (reforçada por uma trilha sonora linda) para registrar a violência e a provação que Colin sofreu em 20 anos encarcerado, Crown Heights denuncia uma realidade que pode ser enfrentada por qualquer pessoa, principalmente se estiver nas camadas sociais menos favorecidas. 

“Você poderia ser eu”, diz King a Warner, justificando sua obsessão por uma causa maior. Esse é um problema que atinge o sistema prisional em todo o mundo – o Brasil tem mais de 600 mil presos (número dobrou em 10 anos), com cerca de 40% em situação provisória, aguardando julgamento, segundo levantamento do G1.

(Juliana Resende/brpress) 

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.

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