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Michael Fassbender é Steve Jobs no filme homônimo. Foto: DivulgaçãoMichael Fassbender é Steve Jobs no filme homônimo. Foto: Divulgação

Michael Fassbender ‘veste’ Steve Jobs

(Londres, brpress) - Indicado ao Oscar de Melhor Ator, ele conta que ficou apreensivo ao interpretar o controverso gênio no filme, mas foi conquistado pela ‘eletricidade’ do personagem. Por Juliana Resende.

(Londres, brpress) – Um ator entregue, versátil e, acima de tudo, talentoso. Michael Fassbender é tudo isso e ainda tem um dos sorrisos mais expressivos do cinema na atualidade. O diretor de Steve Jobs, Danny Boyle, prefere chamá-lo de “guerreiro”. Não, ele não está se referindo ao filme errado: Macbeth – Ambição e Guerra, em que o ator de 38 anos, nascido na Alemanha e criado na Irlanda, interpreta o conflituoso e célebre personagem de Shakespeare (também em cartaz no Brasil).

Ao contrário da agitação encarnando Jobs na tela, Michael Fassbender é calmo e fala manso – até quando o time de rugby irlandês está perdendo da Argentina. A notícia foi dada durante a entrevista coletiva no 59o. BFI London Film Festival, encerrado por Steve Jobs. “Quanto  tempo falta de jogo?”, o ator pergunta. “Vinte minutos”, respondem. “Ah, então acho que ainda vamos ganhar”, diz, tranquilamente. A Irlanda perdeu, mas Fassbender ficou ali, firme.

“Michael é um ator que não se assusta com desafios e isso eu posso dizer sem medo de errar”, incensa Danny Boyle. “Ele levou todos nós abraçamos o enorme desafio que foi transformar a mais completa biografia de Steve Jobs num filme com duas horas de duração, mostrando não só as glórias mas principalmente os conflitos desse gênio. Nesse caso, não tínhamos como abrir exceções, por mais controverso que Jobs pudesse parecer”.

“Fiz muitas coisas que não acho louváveis, como ter engravidado minha namorada aos 23 anos de idade e a maneira como encaminhei a questão”, disse Jobs a Walter Isaacson , autor de Steve Jobs – A Biografia (Cia das Letras), que fez cerca de 40 entrevistas com o criador da Apple, ao longo de dois anos, e entrevistas com mais de cem familiares, amigos, colegas, adversários e concorrentes. “Mas não tenho nenhum segredo a esconder”, continua Jobs  no livro de 624 páginas no qual o roteiro do filme se baseou.

Embora tenha cooperado com a obra, Jobs não pediu nenhum tipo de controle sobre o conteúdo, nem mesmo lê-lo antes de ser publicado. Ao contrário, incentivou seus conhecidos a falarem com franqueza sobre ele – isso inclui a filha de Jobs, Lisa (interpretada brilhantemente pela brasileira Perla Haney-Jardine, em sua fase adolescente), com quem o gênio tinha um relacionamento instável. Talvez essa licença dada por Jobs ao biógrafo tenha deixado Fassbender menos apreensivo para aceitar o papel – pelo qual está indicado ao Oscar 2016 e ao BAFTA, o ‘Oscar’ britânico, de Melhor Ator.

Michael Fassbender pode até ganhar seu primeiro Oscar este ano e, até 2017,  poderá ser visto em nada menos que mais sete filmes. Mas ainda assim tremeu ao topar (re)encarnar Jobs. Cabe a ele, como ator principal de um roteiro marcado por diálogos intensos, manter a “eletricidade”, como ele bem define, do filme a mil. Perfeccionista, obsessivo, canalha, ególatra, indomável, Jobs pode ser o que for como pessoa. Mas o fato é que seu ‘moto’ revolucionou quatro indústrias – a informática, o cinema, a música, a telefonia –  e o mundo.

A seguir,  Michael Fassbender fala do desafio de viver Steve Jobs sem sequer se parecer fisicamente com o pai da Apple.

O que interpretar Steve Jobs significou para você?

Michael Fassbender – Não acompanhei muito a vida de Jobs, só o conheci mais por meio do script e do que as pessoas dizem dele. Mas o respeito muito – mesmo quando ele passou a usar aquela espécie de uniforme (camiseta preta, tênis e calça jeans) [risos]. Acho que não foi uma decisão consciente – era só a primeira roupa que ele encontrava para vestir de manhã. O que fiz foi tentar extrair minhas próprias impressões do homem por meio do roteiro e de todo o material que encontrei disponível sobre ele, como filmes, discursos, seminários, etc. Posso dizer que foi assim que preenchi meus próprios parênteses, mas as respostas podem ser totalmente furadas. Só sei que fui me encontrando com um personagem fascinante, cheio de histórias ruins e boas, e tentando achar um meio termo entre elas.

O que mais admira no homem e empresário Steve Jobs?

MF – Sua visão, sua energia e paixão, além do comprometimento com um futuro o qual todos vivemos hoje. É incrível o efeito que suas invenções no nosso dia-a-dia. Qualquer pessoa que tenha jogado os dados como ele jogou merece muito respeito. Ainda mais depois de ele ter ganhado tanto dinheiro com a Pixar e ter voltado à direção da Apple, arriscando tudo de novo.

Quão preocupado você ficou em interpretar alguém mítico e polêmico como Steve Jobs?

MF – Acho que tive sorte deste projeto cair no meu colo pois não é sempre que temos roteiros como este (coescrito por Walter Isaacson e Aaron Sorkin, de A Rede Social) . Os scripts modernos têm cenas com dez falas quando muito. Diante desse texto extraordinário, tive de admitir que as férias que eu estava planejando acabavam ali mesmo. Eu e Kate (Winslet) arregaçamos as mangas e começamos a trabalhar intensamente no que considero uma oportunidade única para qualquer ator.

Você achou que ter ensaiado bastante antes de filmar ajudou a memorizar o texto?

MF – O fato de Danny (Boyle) vir do teatro foi importante para que ele tivesse o approach certo na condução do filme – desde os ensaios, até os planos-sequência. Devo dizer que ele foi tão generoso comigo que não tenho palavras para agradecer. Ele arrumou todo o ambiente para que a gente se sentisse imerso naquela realidade de Steve, no mundo que ele criou, na força que ele tinha de lutar pelo que acreditava sem descanso. Toda aquela energia emanava no set.

O fato de as filmagens terem como locação lugares onde Jobs realmente viveu e trabalhou ajudou nessa aclimatação?

MF – Acho que foi fundamental estarmos em São Francisco. De novo, Danny poderia ter nos levado a lugares mais baratos mas a energia certa estava nos domínios da Apple, desde a garagem, onde a empresa foi fundada, até outros lugares, como escritórios, auditórios…

Há uma fala de Steve Jobs no filme em que ele diz: “Eu só conduzo a orquestra”. Mas como ator principal do filme, que instrumento você seria nesse concerto?

MF – O oboé! [risos]

Há informações que membros da família de Jobs não gostaram de como ele foi retratado na tela. O que tem a dizer sobre isso?

MF – Para ser honesto, eu confesso que hesitei em interpretar alguém da envergadura de Jobs, que já morreu, que fez o que fez e que provoca muitos julgamentos. Fiquei muito preocupado como esse homem, marido, pai e chefe seriam interpretados. Conversei sobre isso com pessoas da minha confiança e eles me convenceram que o que eu faria é como jornalismo: é preciso ter a responsabilidade de buscar a verdade e pesar ambos os lados de uma história. E é preciso fazer isso com respeito. Foi o que fiz. Tenho por Steve Jobs e sua família o maior respeito e espero que meu trabalho não os incomode nem os machuque.

(Juliana Resende/brpress)

Leia mais sobre Steve Jobs aqui.

REPRODUÇÃO TOTAL E/OU PARCIAL DESTE CONTEÚDO SOMENTE AUTORIZADO PELA BR PRESS.

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.