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Saorsie Ronan em cena de Brooklyn: interpretando um pouco dela mesma. Foto: DivulgaçãoSaorsie Ronan em cena de Brooklyn: interpretando um pouco dela mesma. Foto: Divulgação

Saoirse Ronan: uma garota para viagem

(Londres, brpress) - Em Brooklyn, premiado com o BAFTA de Melhor Filme Britânico, atriz mescla dores e delícias de imigrante irlandesa nos EUA. Por Juliana Resende.

(Londres, brpress) – Mesmo no mundo conectado de hoje, cruzar um oceano para viver em outro país ainda pode ser um grande desafio – físico, emocional, uma mudança em larga escala, tanto geográfica quanto culturalmente falando. É sobre o rito de passagem que esse tipo de viagem envolve que trata Brooklyn, premiado com o BAFTA 2016 de Melhor Filme Britânico e adaptado do best seller homônimo de Colm Tóibín por Nick Hornby (Alta Fidelidade), o escritor de mão-cheia que vem se especializando em roteiros para o cinema.

    Nessa trip voltamos para os anos 50 e, para culminar no quesito fragilidade, a passageira é uma jovem moça irlandesa emigrando sozinha para Nova York, em busca de melhores oportunidades, inexistentes na cidadezinha em que mora com a mãe e a irmã. A transição na vida da tímida Eilis Lacey, brilhantemente interpretada pela atriz Saiorse Ronan, que ganhou uma indicação ao Oscar de Coadjuvante e o respeito do mundo aos 13 anos em Desejo e Raparação (Atonement, 2007), é mostrada com imensa delicadeza na tela.

Saoirse concorre ao Oscar 2016 de Melhor Atriz e Brooklyn a Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado. Na entrevista coletiva, que aconteceu após a exibição do filme no London Film Festival, o autor Colm Tóibín agradeceu a Hornby por deixar a plateia (ainda) mais confusa sobre qual seria a decisão final de Eilis (quando no livro original, volta definitiva para a Irlanda não parece tão sexy quanto NY). “Nick não é irlandês nem mulher, mas soube como poucos enxergar essa menina insegura transformada em uma mulher confiante – mesmo naquela época”, diz Tóibín. Ponto para o escritor inglês tornado uma grife em roteiros.

Conflito
 
    Quem leu o livro vai achar que o filme tenta confundir ainda mais a moça entre continuar batalhando em NY ou voltar para a vidinha pacata na Irlanda. “No filme, quisemos focar no dilema central que é ser ‘estrangeiro’ em todos os lugares que você vai depois de viver em outro país que não é o seu – cuja cultura também já não te pertence mais”. Ou seja: não existe “casa”. O fato é que depois de nove meses de muita ralação em NY, um emprego, um diploma de contabilidade e um namorado ítalo-americano, Eilis se vê obrigada a voltar à sua cidade, em decorrência de uma morte na família.

Americanizada

    Ela chega sofisticada, com um bem cortado vestido amarelo, muito diferente da garotinha assustada que saiu da Irlanda e… casada (ainda que sem contar a ninguém). Sua certeza do que quer e do que não quer segue firme até conhecer um potencial pretendente na Irlanda – mais rico e refinado que seu marido carcamano. Eilis aproveita graciosamente cada momento da visita – incluindo um inusitado banho de mar numa praia irlandesa com um maiô verde que, segundo Hornby, vai fazê-la virar o “tesouro nacional” da Irlanda. Até cair na real.

    Residem nas sutilezas e nas emoções da transformação da personagem central, no ritmo sutil e feminino do filme, a maior beleza de mais este trabalho de Nick Hornby. ”Para mim essa é a magia do filme”, diz Saoirse. “Ela não acorda no dia seguinte e brada: ‘Sou uma nova mulher’ e pronto. Precisa enxugar as lágrimas, aparar as arestas, trocar as roupas, pegar o jeito de tudo – até melhorar sua pele com a maquiagem certa (algo que sua tagarela landlady, vivida por Julie Walters, sempre roubando a cena, se encarrega com muita sinceridade).

    E como a vida imita a arte, Saorsie, que nasceu em NY filha de pais irlandeses e se mudou para a Irlanda ainda pequena, vai voltar a morar na Big Apple em breve. “Devo confessar que sinto-me um pouco como Eilis – e vou fazer exatamente o que ela fez”. Uma das frases para lembrar que a moça diz no filme, quando retorna da visita à Irlanda para NY, é: “Voltei para onde não tenho passado e é aqui onde está meu futuro”.

Assista ao trailer de Brooklyn:

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