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O exército jornalístico de SpotlightO exército jornalístico de Spotlight

Spotlight honra bom jornalismo

(brpress) - Filme sobre reportagem investigativa que denunciou abusos sexuais regulares por padres nos EUA é nitroglicerina pura. Por Juliana Resende.

(brpress) – Filmes de jornalismo investigativo têm sempre um apelo emocional para jornalistas, para o bem ou para o mal. No caso de Spotlight – Segredos Revelados, que estreia nesta semana no Brasil, não há do que a categoria reclamar: o filme é uma ode às reportagens investigativas de fôlego e faz qualquer jornalista que é ou já foi repórter sonhar em fazer parte desse time especial do jornal Boston Globe chamado Spotlight.

O time é dedicado a fazer um jornalismo que não deixa pedra sobre pedra, em que cabeças rolam, mas que parece dinossáurico na “Era da Informação” (leia-se internet) – apesar de essencial mesmo num mundo digital. Não à toa, o filme insiste em mostrar um outdoor da AOL, bem colocado em frente ao prédio do Globe, como que um lobo disruptivo esperando a hora certa ddar o bote no guttembergiano impresso.

    O fato é que ainda não se viu no jornalismo online uma  editoria de superreportagens como Spotlight, capaz de ir a fundo o suficiente em um tema em busca da verdade. Por isso, a editoria do Boston Globe que dá nome ao filme do diretor e coroteirista Tom McCarthy (aliás, o subtítulo em português se faz totalmente desnecessário) soa nostáLgica o suficiente mesmo de um tempo que não parece tão longe. 

O time Spotlight trabalha numa sala separada do resto da redação do jornal, em sigilo, e fica até mais de um ano apurando casos que merecem investigação profunda. São os repórteres mais dedicados do jornal e funcionam como cães farejadores de tretas e mutretas. Sujeira, por assim melhor dizer. Uma vez tendo aval do editor (no caso do episódIo de glória do Spotlight retratado no filme, o cão-farejador mor), o time entra de cabeça, doa a quem doer. Ou melhor: doa a quem tiver menos recursos financeiros e jurídicos.

O Spotlight é encorajado por Marty Baron, um editor lacônico, judeu e (ainda por cima) solteiro, a acreditar que pode peitar a Igreja Católica. Bancado pelo Boston Globe, ele mete bronca: é uma matéria atrás da outra sobre o fato de que padres (um número assustador) molestavam crianças regularmente nas paróquias.

Uma década engavetada

    É um jornalismo que soa heróico a qualquer tempo, além de ser potencial ganhador de prêmios Pulitzer – o Oscar das redações –, como aconteceu com a investigação do Spotlight sobre pedofilia generalizada na Igreja Católica em Boston, que abalou o Vaticano e o mundo depois de revelar que abuso sexual era regra e não exceção nas paróquias americanas, irlandesas, quenianas etc, e que os cardeais pouco ou nada fizeram para conter esse comportamento dos padres.

O Boston Globe ganhou o Pulitzer em 2001 – ano do 11 de Setembro – publicando essa denúncia, 10 anos depois que os fatos haviam chegado à redação. Ninguém deu bola (ou teve “bolas” para prosseguir) e a denúncia foi engavetada pelo jornal.

 Até nesse aspecto, Spotlight é fidedigno ao modus operandi imediatista, sobrecarregado e, sim, muitas vezes vacilão da redações. O Globe permaneceu uma década com um furaço na gaveta por falta de alguém que abrisse o olho e resolvesse bancar o desafio de investigar – e denunciar – a Igreja Católica.

Quem farejou essa foi o recém-chegado editor Marty Baron, discretamente interpretado pelo ator Liev Schreiber). Apesar do jogo de interesses e poder que permeia as relações entre a política, as instituições e a imprensa, manda priorizar a investigação de abusos sexuais por padres. As vítimas são tantas que têm até associação – e procuraram o jornal no passado, sem conseguir atenção dos editores, numa relação tensa de constante desconfiança.

O jornalismo agradece

O resto é história – e uma história que ia contra a religião da maioria dos leitores do Globe e era certamente indigesta.

Mesmo assim, foi um marco no jornalismo investigativo, virou filme e, na trilha de seu sucesso – ganhou o Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Original, além do BAFTA, o ‘Oscar’ britânico, de Melhor Roteiro –, originou até uma bolsa de jornalismo investigativo dedicada a grandes (e cabeludas) reportagens, Spotlight Investigative Journalism Fellowship, no valor de US$ 100 mil. 

O editor Walter ‘Robby’ Robinson (Michael Keaton) mais os repórteres Mike Rezendes (Mark Ruffalo, brilhante) e Sacha Pfeiffer (Rachel McAdams) estão excursionando como pop stars do jornalismo investigativo para promover o filme Spotlight, fortemente apoiado pelo Boston Globe.

A dupla, acompanhada por Tom McCarthy, deu uma palestra no Frontline Club, em Londres, clube independente de jornalismo famoso por eventos notáveis e por fomentar o que há de mais explosivo e up-to-date em coberturas jornalísticas na atualidade. Foi um ponto alto da programação, mesmo com Spotlight estreando somente dia 29 de janeiro no Reino Unido.

Papel de jornalista

Embora Michael Keaton já tenha um respeitável currículo em filmes de jornalismo, como em O Jornal, de Ron Howard (The Paper, 1994), vale bater palmas também para John Slattery que interpreta outro editor: Ben Bradlee Jr, filho do grande Ben Bradlee, um dos responsáveis por Watergate (outra pérola do jornalismo investigativo que não chega a ser mencionado no filme).

Spotlight é um time contido, sóbrio, restando ao pilhado Rezendes fazer as vezes do repórter com “sangue-nos-óio” lidando com nitroglicerina pura. E também endorfina aos amantes do bom (e velho) jornalismo.

(Juliana  Resende/brpress)

Assista ao trailer de Spotlight – Segredos Revelados:

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