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Cate Blanchett e Rooney MaraCate Blanchett e Rooney Mara

Tom feminista domina London Film Festival

(Londres, brpress) - Confira os filmes – e as frases – que fizeram as mulheres presentes, de Meryl Streep a Rachel Weisz, um capítulo à parte. Por Juliana Resende.  

(Londres, brpress) – A mulherada se alvoroçou como nunca neste London Film Festival. Da abertura ao encerramento, passando pelo tapete vermelho e as entrevistas com atores – principalmente atrizes –, a 59a. edição do evento foi pura rebeldia, poder e malcriação propriamente dita. Tudo quase sempre sem descer do salto (aqui vale mencionar a máxima de Victoria Beckham: ‘I cannot concentrate in flats’ ou ’não consigo me concentrar em rasteirinhas’), como manda o figurino britânico.

    O London Film Festival viu mulher protestando na tela (Suffragette) e na rua (Sisters Uncut); mulher apoiando mulher nas vitórias já conquistadas e naquelas que ainda precisam acontecer (Meryl Streep, panfletária na coletiva de imprensa), trazendo para o centro do festival a questão do gênero na indústria do cinema e fora dela (Geena Davis lançou seu Institute on Gender in Media and Women in Film and Television – WFTV); mulher com mulher (Cate Blanchett e Rooney Mara como amantes no filme Carol, sim, e daí?); mulher imigrante triunfando em terra estrangeira (Saoirse Ronan, dando um baile em Brooklyn); mulher pra se admirar (Rachel Weisz, bonita e inteligente como sempre), mulher pra se divertir (Kate Winslet, supersimpática); mulher desafiando David Cameron (Helena Bonham Carter endossando os protestos contra os cortes nas verbas do governo para projetos de combate à violência contra a  mulher); mulher que não precisa mais provar nada a ninguém (Helen Mirren, ótima em Trumbo), e Maggie Smith, saída de Downtown Abbey direto para The Lady in the Van); e ainda teve ex-mulher cobrando pensão e filha cobrando atenção de pai supostamente desnaturado (em Steve Jobs, que estreia em 2 mil salas nos EUA neste final de semana).

De filha pra pai

    Aliás, na biografia do pai da Apple dirigida por Danny Boyle, o que mais chama atenção é a conturbada relação do gênio com filha mais velha Lisa Brennan (que ele negava ser dele até último fio de cabelo). É isso que dá molho ao verborrágico (e monótono) roteiro de Aaron Sorkin. Sabe-se que, na real, Lisa foi convidada por Boyle para ir ao set e conversar com os atores quando bem entendesse, mas ela não apareceu. Sabe-se também que Lisa foi à pré-estreia do filme em NY, mas se retirou antes do início da sessão. Não se sabe, no entanto, se ela já assistiu ao filme e muito menos o que achou. A mãe dela, e ex-namorada de Jobs ainda no colegial, Chrisann Brennan, disse ao Los Angeles Times que já acionou seu advogado porque não gostou do que viu. Mais lenha na fogueira mulheril.

Laurie Anderson também chamou seu pai de “o maior fantasma” de seu novo filme, Coração de Cachorro (Heart of a Dog, 2015), exibido no London Film Festival, com a presença dela.  O filme, que chega ao Brasil via Mostra de Cinema de São Paulo, é um espécie de diário insólito sobre as aventuras e desventuras de Laurie, pela ótica de sua cachorrinha Lolabelle, falecida em 2011. Ela fala de morte, amores (Lou Reed, seu companheiro nos últimos anos de vida, aparece no final), sentimentos e momentos, de forma filosófica, existencialista e muito moderna – como, alías, sempre foi a marca registrada dessa artista multimedia. 

Frases de impacto

O fato que é durante o London Film Festival, que acabou no último domingo (18/10), os ânimos estavam mais exaltados do que com a visita a Londres do presidente da China, Xi Jinping, nesta semana. Clare Stuart, diretora do festival, declarou que essa edição era “das mulheres fortes”. A cidade assistiu a um desfile intenso de filmes com personagens femininas protagonistas (literalmente ou não) e eloquentes e ouviu algumas declarações em coletivas de imprensa e red carpets que transformaram esses eventos tão pouco espontâneos em verdadeiros paraísos imprevisíveis regados por frases no mínimo audaciosas. A elas, pois:

“Acho muito engraçado como alguns jornalistas se sentem à vontade ao me perguntar se tive muitos casos quando interpreto alguém que tem um affair num filme, mas não me perguntam quantos já matei se interpreto uma assassina. Não, eu nunca me apaixonei por uma mulher, se é isso que você quer saber. Tenho estado bastante ocupada cuidando dos meus quatro filhos.” – Cate Blanchett

“Estou acompanhando muito o site Rotten Tomatoes. Na verdade, estou obcecada por ele. É impressionante como a grande maioria de quem dá nota aos filmes são homens. Ora, homens são diferentes de mulheres e têm, geralmente, gostos diferentes. Estamos nas mãos destes caras!” – Meryl Streep

“Não acho que mulheres solteiras são mais discriminadas que homens. Não mesmo… Se eu gostaria de ver James Bond virar uma mulher? Não, nada disso. Mas há rumores de uma nova franquia como uma espiã intrépida e com um graaaaannnnndeee apetite sexual. Por que não?.” – Rachel Weisz.

“Quando li o script de Steve Jobs pensei: ‘Tem bastante diálogo. Daí continuei lendo e pensei: ‘Nossa, realmente tem muito texto!’; cheguei na metade e explodi: ‘Holly f***! esse roteiro será impossível de decorar. Se alguém disser uma palavra errada, vai f**** com todo mundo no set!.” – Kate Winslet

‘Eu me senti tão feliz e fabulosa usando aqueles chapéus sensacionais – um diferente a cada dia! Disfarçava o veneno da minha personagem – uma mulher poderosa e cínica. Aliás, devo confessar que uma das coisas que me deixa mais chateada é o fato de as pessoas não usarem mais chapéus como antigamente. Isso realmente me entristece, por mais fútil que possa parecer. ” – Helen Mirren

“Quando soube da situação dos músicos no Mali, sendo ameaçados e expulsos do país por extremistas supostamente islâmicos, não tive dúvida: peguei minha câmera e o primeiro vôo para a  capital Bamako e tentei não pensar no meu barrigão de quase seis meses de gravidez.” – Johanna Schwartz, diretora do documentário Terão de nos Matar Primeiro.

“Eu gostaria muito de ter ficado com aquele maiô verde que usei no filme….”– Saoirse Ronan. “Daí você seria pra sempre  a garota nacional irlandesa” [completou Nick Hornby]

“Acho que esse protesto [da ONG Sisters Uncut, contra o corte de verba do governo britânico para projetos de combate à violência contra a mulher no Reino Unido) tem tudo a ver com o filme [Suffragettes]. Ponto pra elas!” – Helena Boham Carter

(Juliana Resende/brpress)

Veja galeria de fotos das estrelas do 59o. BFI London Film Festival no Facebook da brpress.

Assista ao trailer de Carol (em inglês):

https://www.youtube.com/watch?v=Azts8KZfBpY

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.