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Bem longe da Indonésia

(Londres, brpress) - Terremoto haitiano não chegou nem a 5% da potência que teve o da Indonésia, no Natal de 2004. Felizmente, a intensidade do cataclismo haitiano não teve um alcance internacional nem gerou uma tsunami. Por Isaac Bigio.

Isaac Bigio*/Especial para brpress

(Londres, brpress) – Estima-se que no terremoto de 12 de janeiro, no Haiti, mais de 200 mil pessoas tenham morrido. Caso este número supere 250 mil, este poderá ser o segundo pior terremoto da história (acima dos da Turquia, em 526, da Síria, em 1138, e da China, em 1920 e 1976).

Este foi o terremoto que mais mortes causou nas Américas, ainda que, em termos geológicos, não tenha sido tão terrível – atingiu 7 graus na escala Richter, o que demonstra ter sido várias vezes menos poderoso do que os que sacudiram o Chile em 1906 e 1960, a Colômbia e o Equador em  1906 e, em 1970, a Colômbia e o Peru.

A cada ano se produzem no planeta uma média de 120 terremotos que variam de 6 a 6.9 graus. O terremoto haitiano não chegou nem a 5% da potência que teve o da Indonésia, no Natal de 2004. Felizmente, a intensidade do cataclismo haitiano não teve um alcance internacional nem gerou uma tsunami.

Sem comparação

No entanto, a situação da Indonésia e do Haiti, depois das catástrofes, é muito diferente. Enquanto no primeiro as equipes de socorro estrangeiras foram limitadas e menos de 1% da população sofreu danos (por ter ocorrido em  zonas rurais, houve a vantagem de que as principais cidades, que não foram atingidas, pudessem organizar a ajuda), no segundo caso a capital e a infra-estrutura governamental entraram em colapso (a ponto de impedir que o gabinete central de ajuda não  pudesse ser organizado a partir do governo e dos ministérios), um em cada três haitianos foi atingido, e o Haiti hoje tem entre 20 e 30 mil soldados de diferentes nacionalidades trabalhando no resgate e sepultamento dos mortos, tratamento dos feridos e distribuição de remédios e alimentos.

O que contribuiu para o grande número de mortos no Haiti foi a situação precária de suas construções e de seus serviços de emergência, oriundos da situação de extrema pobreza no país. No final das contas, o pior efeito do terremoto terá sido o cataclismo social e econômico em que estará mergulhado o Haiti, por tempo indeterminado.

 

(*) Analista de política internacional, Isaac Bigio lecionou na London School of Economics e assina coluna no jornal peruano Diario Correo. Fale com ele pelo e-mail [email protected] . Tradução: Angélica Resende/brpress.

Isaac Bigio

Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics . Tradução de Angélica Campos/brpress.