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Ana Cristina Cesar segue influenciando novas poetas e ganha retrospectiva. Foto: Clara Alvim/Instituto Moreira SallesAna Cristina Cesar segue influenciando novas poetas e ganha retrospectiva. Foto: Clara Alvim/Instituto Moreira Salles

Ana Cristina Cesar inspira novas poetas

(brpress) - Poesia brasileira feminina ganha fôlego no ano em que Ana C. faria 65 anos, tema de exposição na Caixa Cultural Rio de Janeiro. Conheça alguns nomes e livros.

(brpress) – Tem poesia no ar. Aproveitamos a abertura da exposição À Mercê do Impossível, na Caixa Cultural Rio de Janeiro, celebrando os 65 anos que a poeta cult carioca Ana Cristina Cesar completaria se não tivesse cometidosuicídio aos 31, atirando-se pela janela do apartamento dos pais, em Copacabana, em 1983, para revelar novas poetas brasileiras. 

Ana C. foi musa inspiradora de sua época, os anos 1970, em que a chamada Poesia Marginal estava no auge. Amiga de Caio Fernando Abreu (1948-1996), outro ícone da literatura contemporânea brasileira, Cesar foi influenciada pelas poetisas britânicas Emily Dickinson, Sylvia Plath e Katherine Mansfield, mesclando ficção e autobiografia. Livros de Ana C., como Luvas de Pelica (1980), escrito na Inglaterra, permanecem influentes até hoje – tanto que ela foi homenageada pela Flip (Festa Internacional Literária de Paraty), em 2016.

O espírito de Ana C. é revivido na mostra da Caixa Cultural – reunindo escritos, fotografias e vídeos do acervo pessoal da poeta –, e emtrabalhos de poetas atuais como a paulistana Márcia Villaça, que tem cinco livros publicados, incluindo os recém-lançados Santa Clara e Sacre Coeur (2017), e também tem na Europa um ponto de referência, onde experimentou a sensação de ficar, como diz um poema de Ana C., “à mercê do impossível”.

Cesta básica

Outros nomes que valem a pena ser conferidos – seja em formatos transmídia, como áudio e/ou vídeo-poemas, redes sociais, blogs ou mesmo nos tradicionais livros –, são: a mineira de BH Ana Martins Marques, autora do elogiado O Livro das Semelhanças, publicado pela Cia das Letras; a curitibana Ana Guadalupe, cujo delicado Não Conheço Ninguém que Não Seja Artista (Ed. Confeitaria) relaciona fotos e poemas; Bruna Beber, de Duque de Caxias (RJ), dona de uma verve direta e quase pop (veja poema abaixo) e quatro livros publicados, incluindo Rua da Padaria, pela Record; a mato-grossense de Cuiabá Ryane Leão, que faz poesia de rua e no perfil OndeJazzMeuCoração, no Instagram; além das conterrâneas de Ana C., Maria Rezende, que vende seu Carne do Umbigo em sua própria loja virtual, Alice Sant’Anna, que publicou Pé do Ouvido pela Cia das Letras, e Laura Liuzzi, autora de Calcanhar, para quem “o poema é o ato flagrante que revela o instante irreversível.”

Romance em Doze Linhas, por Bruna Beber

quanto falta pra gente se ver hoje

quanto falta pra gente se ver logo

quanto falta pra gente se ver todo dia

quanto falta pra gente se ver pra sempre

quanto falta pra gente se ver dia sim dia não

quanto falta pra gente se ver às vezes

quanto falta pra gente se ver cada vez menos

quanto falta pra gente não querer se ver

quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais

quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu

quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer

quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu

Vídeo-poema de Maria Rezende:

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