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Semana Santa celebra herança e divisão cultural

(Londres, brpress) - Continente americano, último a conhecer o cristianismo, que se impôs nas Américas com muita violência, é onde mais se comemora a data. Por Isaac Bigio.

Isaac Bigio*/Especial para brpress

(Londres, brpress) – O  continente que mais comemora a Semana Santa é o americano, o último a conhecer o cristianismo, onde mais de 95% de seus 900 milhões de habitantes foram educados no referido credo. Em troca, o continente com menos porcentagem de pessoas que celebrará esta festividade é aquele onde viveu e morreu Jesus, e onde se escreveram os dois testamentos (Ásia), o único onde o cristianismo não é a religião majoritária, mas apenas a quarta (atrás do Islã, hinduísmo e budismo). Hoje, menos de 10% da população das terras bíblicas comemora a Semana Santa.

Nem Jesus nem nenhum dos milhares de personagens da Bíblia souberam que as Américas existiam, assim como tampouco conheceram seus povos e civilizações, sua fauna e seus produtos como milho, batata, tomate, chocolate, baunilha, etc.

Junto com os vikings

A primeira vez que os cristãos chegaram a esse continente foi em torno do primeiro milênio depois de Cristo, quando os vikings aportaram na Groelândia. No entanto, seria preciso esperar mais cinco séculos  para que os cristãos descobrissem as grandes culturas ameríndias com suas pirâmides, templos, pavões, lhamas, pontes pênseis e demais coisas típicas destas civilizações.

O modo pelo qual as terras bíblicas se descristianizaram e como as Américas se evangelizaram foi muito diferente. Segundo Alberto Houroni, em sua História dos Povos Árabes, os maometanos conquistaram velozmente o Oriente Médio nos séculos VII e VII devido, em parte, ao apoio de várias congregações cristãs que queriam escapar do domínio de outra igreja.

Assim, a igreja nestoriana tornou-se a mais extensa do planeta – ia desde o Mediterrâneo até a China – graças à proteção dos califas. O Islã, em seus primeiros dois séculos, apenas converteu 10% da população do Oriente Médio. A fé muçulmana cresceu gradualmente reivindicando Jesus como profeta (mas não Deus) e oferecendo menos impostos aos convertidos.

Cruzadas

Durante as Cruzadas, muitos cristãos foram massacrados tanto pelos cristãos quanto pelos seguidores de Maomé, como também pelos próprios cruzados, especialmente os das igrejas ortodoxas.

O cristianismo, portanto, se impôs nas Américas com muita violência. A chegada dos europeus ao Novo Mundo trouxe epidemias que dizimaram os ameríndios e, em seguida, a Inquisição perseguiu outros cultos e construiu igrejas sobre os templos indígenas. No entanto, vários ritos pré-colombianos sobreviveram no que se refere à veneracão dos santos, procissões e festividades.

Do México, saíram os missionários que transformaram as Filipinas na maior nação católica do Velho Mundo, onde muitos fiéis ainda costumam se autocrucificar na Semana Santa.

Na América Latina, o catolicismo subjugou as religiões nativas, o Islã e o socialismo ateu, mas seu principal competidor hoje são as centenas de novas igrejas, que festejam a seu modo a Semana Santa, algumas, inclusive, sem venerar a cruz.

(*) Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics. É um dos analistas políticos latino-americanos mais publicados do mundo. Fale com ele pelo e-mail [email protected] , pelo Twitter @brpress e/ou no Facebook. Tradução: Angélica Campos/brpress.

Isaac Bigio

Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics . Tradução de Angélica Campos/brpress.