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André Abujamra extasia plateia com show-filme Omindá

(São Paulo, brpress) - Quem foi à estreia do novo show de André Abujamra esperando mais uma excentricidade do músico acertou. Mas talvez não esperasse tanto. Ingressos estão esgotados. Por Juliana Resende.

(São Paulo, brpress) – Quem foi à estreia do novo show de André Abujamra, Omindá – A União das Águas pelo Mundo, esperando mais uma excentricidade do músico acertou. Mas talvez não esperasse tamanha excentricidade, modernidade e lirismo. O espetáculo, em cartaz somente neste final de semana, no Auditório Ibiraquera, é o fino do casamento entre a world music e o audiovisual. Poético, forte e surpreendente.

Foram 11 anos de trabalho em idas e vindas a 13 países, derrubando fronteiras e abraçando o diferente, mas paradoxalmente tão igual: a emoção provocada pela música. André se inspirou e louvou a água – essa commodity que abunda e falta, move moinhos, lava-jato e pecados, roupa suja e mata a sede. Com uma orquestra multicultural, um turbante vermelho, um colar com o símbolo místico do projeto (usado por todos os participantes) e sempre uma guitarra à tiracolo, André Abujamra une o improvável num mashup fascinante. 

Experiência audiovisual

É certo que o álbum que dá nome ao show-filme – no palco, as imagens captando diversas locações e artistas interagem com o que acontece ao vivo, música e cena, como um grande videoclipe global executado num ‘live’ – fica menos emocionante quando só ouvido (o trabalho está disponível em CD, vinil e em todas as plataformas digitais) e não visto. Por isso, o valor de Omindá é, antes de tudo, está na experiência do presente, quando virtual e presencial se encontram sem pausa (no YouTube é possível ‘ver’ cada música).

O encontro das águas é uma metáfora do encontro dos artistas, e vice-versa: flui como um rio que desagua num mar de referências de um planeta-água globalizado, cujas culturas, povos e pessoas são aproximados pela tecnologia e pela arte, embora governos insistam nas barreiras imigratórias e territoriais. Esses impedimentos físicos caem por terra no tsunami emocional, sonoro e antropofágico regido por André Abujamra. Búlgaros, árabes, indianos, russos, europeus, latinos e africanos integram essa viagem, em uníssono. 

Grande elenco

A vasta lista de artistas que fazem de Omindá um dos projetos mais interessantes e belos concebidos por um artista brasileiro na última década é vasta. São 65 minutos e 15 músicas-filmes, compostas por André e com parceiros como Xis, Theo Werneck, Oki Dub, o inseparável Mauricio Pereira, de Os Mulheres Negras (o duo com André), além de Mintcho Garramone, Anelis Assumpção e Martim Buscaglia, entre outros. “Fui encontrando essas pessoas maravilhosas pelo caminho”, diz André, com o jeitão de menino que engana quando ele coloca sua genialidade e espiritualidade a serviço do som – “o que mais amo nessa vida”, diz.   

Além dos artistas internacionais, como a The City of Praga Philharmonic Orchestra (República Checa), o tradicional coro The Mystery of the Bulgarian Voices (Bulgária), Zaza Fournier (França), Ballaké Sissoko (Mali), Maria de Medeiros (Portugal), Sasha Vista (Rússia), Oki Kano (Japão),  Julia Ortiz e Dolores Aguirre (Argentina), Rishab Prasanna e Sharat Srivastava (India), participam do projeto artistas brasileiros como o percussionista Marcos Suzano, o violeiro Ricardo Vignini, a Trupe Chá de Boldo, Ritchie e Paulinho Moska. 

Superprodução 

Ao final do espetáculo de estreia, André Abujamra foi ao foyer do Auditório Ibiraquera para receber abraços, beijos, cumprimentos, beija-mãos e distribuir autógrafos e selfies. À brpress, confidenciou: “É muita gente!”. Não, ele não se referia ao público, apesar da casa lotada, mas aos músicos e equipe técnica do espetáculo. A entourage beira uma centena (só no palco são 40 pessoas). “Vai ser difícil levar esta produção a outras cidades do Brasil e do mundo”, prevê o músico. Mas nunca é demais pedir. 

Omindá foi realizado sem qualquer patrocínio direto ou via leis de incentivo cultural. Depois da água, que venha o fogo, em 2020, conforme anunciado por André. Afinal, promessa é dívida.  

(Juliana Resende/brpress) 

Assista ao vídeo de O Mar: 

Omindá – A União das Almas do Mundo Pelas Águas

Sexta (23/03) e sábado (24/03), às 21h; domingo (25/03), às 19h.

 Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada) ESGOTADOS

Auditório Ibirapuera – Oscar Niemeyer – Av. Pedro Alvares Cabral, s/n – Portão 2 do Parque Ibirapuera
(Entrada para carros pelo Portão 3); (11) 3629-1075; [email protected]

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.