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Ozzy Osbourne em São PauloOzzy Osbourne em São Paulo

Rock geriátrico de Ozzy incendia jovens

(São Paulo, brpress) - Acompanhado por virtuoses, cantor levou à loucura cerca de 30 mil que foram prestar reverência ao "mestre" – ou seria vovô? – do rock. Por Juliana Resende.

(São Paulo, brpress) – Eram pontualmente 21h27 quando as luzes do palco do Anhembi se apagaram, na último sábado (02/04), e Ozzy Osbourne entoou os primeiros acordes de Back at the Moon, todo de preto, crucifixo glitter no peito, acompanhado por uma banda matadora, atirando nas cerca de 30 mil pessoas que ignoraram as previsões de pancadas de chuva e foram prestar reverência ao “mestre” do rock – como definiu o guitarrista da banda de abertura  Sepultura, Andreas Kisser –, para não dizer vovô do rock.

Sim, aos 62 anos, trêmulo, frágil e cada vez mais rico, excêntrico e debochado, o inglês John Michael Osbourne inaugura, sem qualquer pretensão, a era do rock geriátrico – aquele que pode ser velho mas funciona como elixir da e para a juventude. Com 40 anos de carreira e um carisma que faz de garotos a jovens senhores se misturarem num show com ingressos de até R$ 600 e pularem, insandescidos, mesmo debaixo de uma chuva torrencial, Ozzy é como um vampiro: se alimenta da energia da plateia e a devolve turbinada.

“I can’t fucking hear you!!!!”, provocava Mr. Osbourne, no total controle da situação, sem ter de dançar, rebolar, nem correr de um lado para outro do palco, apenas com os braços erguidos batendo palmas. “Louder!!!!!”, ordenava, impiedoso, incentivando: “I know you can go fucking crazy tonight!!!!”. Tudo para atiçar a plateia  já encharcada com a chama quente do rock n’ roll – combustível que Ozzy, como poucos, sabe queimar e fazer render.

Virtuoses e repertório

Na verdade, mesmo que seja um bom cantor e experiente frontman, o fato é que, desde que o Black Sabbath deu uma banana a Ozzy, em 1979, seu vocalista original (então cada vez mais louco e drogado), ele vem arregimentando bandas de rock com os melhores e mais virtuoses músicos que encontra, todos muito mais jovens. E esse é o grande espetáculo da turnê Scream – de de todas as demais –, além do repertório, é claro, que sempre mistura Ozzy e Sabbath.

Na falta do perfeito guitarrista Randy Rhoads (1956-1982) e de Zakk Wylde, hoje líder do Black Label Society, temos agora Gus G. Ozzy tinha mesmo razão quando avisou que iríamos “amá-lo”. Sabedoria de roqueiro ancião. Gus é simplesmente mais um guitar hero lindo, que Ozzy escolheu a dedo, com uma técnica impecável (além de cabeludo e sexy, of course). Quando Gus solou com trechos de Brasileirinho, já tinha a plateia a seus pés.

Baldes de clássicos

Assim como o baterista Tommy Clufetos,  que protagonizou o show por uns infinitos 10 minutos, com um solo demolidor, enquanto o “mestre” tomava fôlego para derramar no Anhembi baldadas de água a turma do gargarejo e mais clássicos: Mr. Crowley (com aquela introdução de órgão “sacra”, sob a batuta do tecladista Adam Wakeman), Suicide Solution, I Don’t Know e, do Black Sabbath, Iron Man, a genial Fairies Wear Boots (esta em versão instrumental, desenterrada do fundo do baú), e, já na metade do set list, o hit War Pigs, banhado por uma chuva forte.

Certamente, trata-se de um show memorável, quase estragado pelo estresse na saída do Anhembi, mais uma vez pelo excesso de veículos particulares, nenhum transporte público assim como qualquer esquema especial de fluxo de trânsito montado pela Companhia de Engenha ria de Tráfego (CET), além da ausência de placas e orientação aos milhares que deixavam o local ao mesmo tempo, depois de Ozzy encerrar a noite com Paranoid. Aliás, tema apropriadíssimo para a saída do show.

Até quando, Brasil?

(Juliana Resende/brpress)

Set list de Ozzy Osbourne em São Paulo:
Bark at the Moon
Let Me Hear You Scream
Mr. Crowley
I Don’t Know
Fairies Wear Boots
Suicide Solution
Road to Nowhere
War Pigs
Shot in the Dark
Rat Salad/Iron Man
I Don’t Want to Change the World
Crazy Train
Mama, I’m Coming Home
Paranoid

Mais informações sobre a turnê Scream no Brasil – Ozzy ainda passa por Brasília (05/04), Rio (07/04) e BH (09/04) – aqui.

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.