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Blair no banco dos réus

(Londres, brpress) - Depondo na comissão Chilcot para inquirir sobre a legalidade ou não da Guerra do Iraque, ex-premier encarou gritos de "Bliar" e afirmou ter feito a coisa certa, apesar dos mais de 100 mil mortos. Por Isaac Bigio.

Isaac Bigio*/Especial para brpress

(Londres, brpress) – No Reino Unido, existe uma comissão liderada por Sir John Chilcot para inquirir sobre a legalidade ou não da Guerra do Iraque. Vários ministros já compareceram para prestar esclarecimentos e no final de janeiro foi a vez do ex-premier Tony Blair depor durante seis horas. Do lado de fora do recinto, centenas de manifestantes pediam que ele fosse julgado como criminoso de guerra, gritando “Bliar” (mistura do nome dele com a palavra “liar”, mentiroso, em inglês).

Em março de 2003, Londres e Washington atacaram o Iraque, baseando-se num informe do serviço secreto britânico que assegurava que, na época, Saddan Hussein possuía armas químicas e bacteriológicas que poderiam ser lançadas em apenas 45 minutos. Os fatos  demonstraram que o Iraque, há muito tempo, havia eliminado todas as suas armas de destruição massiva e, por isso – segundo o parlamentar e ex-trabalhista Galloway –, não foi correto ter havido a invasão e, muito pelo contrário, deveriam ter sido suspensas as sanções impostas ao Iraque.

Petróleo

Blair declarou que, apesar deste erro, se justificava o ataque porque, mantido Hussein no poder, e o petróleo atingido o preço de US$ 100 o barril, o Iraque estaria hoje muito melhor armado e proporcionando bombas a grupos terroristas. Um dos fatos que veio à luz nas ditas investigações é que, um ano antes da invasão, Blair havia oferecido seu apoio a Bush no caso de os EUA quererem optar pela via militar. No tenso interrogatório, o ex-premier contestou esta informação e disse que tentou esgotar a via diplomática, mas que esta foi abortada por que a França e a Rússia foram se distanciando de qualquer possibilidade de poder ir à guerra.

Blair concordou que a intervenção no Iraque quase fracassou devido a dois fatores: 1) a destruição do serviço público no Iraque; e 2) não se previu a influência da Al Qaeda e do Irã para desestabilizar o processo. Isto pese que a invasão nos EUA se deu usando-se o argumento das conexões entre Saddam e Bin Laden. Para Blair, no entanto, tal laço não existia, mas toda guerra pode ser justificada contra qualquer Estado “pária”  armado (como foi o caso do Iraque e hoje pode ser o do Irã).

Outra guerra

Blair também não demonstrou nenhum remorso diante dos mais de 100 mil civis mortos na guerra, nem das centenas de baixas britânicas. Em vez disso, sugeriu que, após a guerra no Afeganistão e no Iraque, dever-se-ia pensar na preparação de uma outra, contra o Irã, que possui o mesmo risco de ter armas letais e conexões terroristas.

Ele ainda se vangloriou de ter convencido Clinton a atacar os sérvios no Kosovo, em 1999. Quem havia sido acusado de ser o marionete do militarismo norte-americano mostrou que talvez tenha sido o inverso. Ao querer ajudar os EUA para ir à guerra, o que parece é que Londres vem usando sua ex-colônia pra ir reconstruindo as áreas de influência que seu império ultramarinho teve, um dia.

(*) Analista de política internacional, Isaac Bigio lecionou na London School of Economics e assina coluna no jornal peruano Diario Correo. Fale com ele pelo e-mail [email protected] Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ou pelo Blog do Leitor. Tradução: Angélica Resende/brpress.

Isaac Bigio

Isaac Bigio vive em Londres e é pós-graduado em História e Política Econômica, Ensino Político e Administração Pública na América Latina pela London School of Economics . Tradução de Angélica Campos/brpress.

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