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Diego Hypólito: uma batalha contra todos os contras até a medalha de prata na Rio 2016. Foto: Fernando Frazão/Agência BrasilDiego Hypólito: uma batalha contra todos os contras até a medalha de prata na Rio 2016. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Diego Hypólito é prata para o Brasil

(Rio de Janeiro, brpress*) - ‘Em Pequim, caí de bunda. Em Londres, de cara. Hoje, caí de pé’, diz ginasta brasileiro sobre lavar a alma na Rio 2016.

(Rio de Janeiro, brpress*) – Diego Hypólito teve que cair duas vezes na final do solo antes de entrar no seleto rol dos atletas que conseguiram uma medalha em Jogos Olímpicos. Neste domingo (14/08), ele conquistou a medalha de prata nos exercícios de solo da ginástica artística da Rio 2016.

O resultado foi ainda mais histórico para o Brasil com o bronze de Arthur Nory. Até o ouro de Athur Zanetti, em Londres 2012, o país jamais conquistara medalhas na modalidade nos Jogos Olímpicos.

Na primeira olimpíada, em Pequim, no ano de 2008, “quando eu achava que era invencível e vinha da conquista do título mundial no solo”,  Diego não conseguiu se firmar após saltar para encerrar sua apresentação e acabou caindo sentado no chão. Quatro anos depois, em Londres, escorregou logo no começo de sua série e deu de cara no chão. 

Desacreditado e tachado de velho para ginástica artística, o atleta de 30 anos tentou pela terceira vez, e em casa. A insistência veio em forma de nota: 15.533, o suficiente para torná-lo vice-campeão olímpico. “Eu não consigo acreditar que isso é real. Isso mostra para qualquer pessoa que, se você acreditar nos seus sonhos, é possível alcançá-los. Eu tive uma Olimpíada em que caí de bunda. Outra em que, literalmente, eu caí de cara. E na terceira Olimpíada, eu caí de pé. Eu nem sou tão bom quanto era nas outras Olimpíadas, e eu consegui uma medalha. É inexplicável, uma sensação maravilhosa”, comemora o ginasta.

Superação

Os fracassos consecutivos doeram na alma de Hypólito: “Já aconteceu de tudo comigo. Eu tive depressão e fui internado. Eu me senti extremamente humilhado, mas quis enfrentar. A nossa cabeça acaba sendo o nosso maior problema, porque a gente deixa de acreditar na gente e deixa de trabalhar da maneira mais adequada. Já tive tantos altos e baixos na minha carreira e isso mostra, para qualquer pessoa, que todos nós temos o direito de errar”. 

Em 2013, com o fim da equipe de ginástica do Flamengo, Hypólito ficou sem clube, sem “emprego” e lugar para treinar. Segundo revelou à BBC Brasil, depois de anos no Rio, o ginasta precisou se mudar para São Paulo e treinar, de favor, no clube Pinheiros. E passou a manter uma rotina espartana – morava em um alojamento ao lado do ginásio”.

A depressão profunda lhe custou a perda de 10 kg, uma internação hospitalar e diagnóstico da comunidade esportiva de que as chances de ele ir à terceira Olimpíada tinham desaparecido. Ainda mais em uma idade relativamente avançada para um ginasta de elite. E os fantasmas insistiram em atormentá-lo até durante o momento crucial de sua série prateada. A diferença é que se depararam com um atleta calejado e fortalecido.

‘Vai lá e faz’

“Na hora que fui para a última acrobacia, me veio um filme na cabeça. Eu estava concentrado para finalizar a minha série e vi a imagem do que aconteceu em Pequim. Mas disse para mim mesmo: ‘Você treinou e se dedicou. Não deixe seu trabalho ir por água abaixo por conta de um pensamento negativo. Vai lá e faz’. Eu estava muito ansioso de ontem para hoje. Mas quando acordei, falei que não ia deixar escapar desta vez. Não teria nada que fosse me impedir de alcançar meu sonho e conseguir acertar nesta Olimpíada”.

Segundo ginasta a se apresentar, Hypólito assistiu às apresentações de mais seis atletas – entre eles, o multicampeão japonês Kohei Uchimura e o atual campeão no aparelho, o também japonês Kenzo Shirai – até que a redenção chegasse. Foi uma espera sofrida: “Eu estava passando muito mal e achei sim que não daria para ficar com a medalha. Quando terminei a prova, pensei que daria para ficar em quarto ou quinto lugar”.

Diego Hypólito continua a descrever a adrenalina: “Dá uma ansiedade em ver todo mundo competindo, porque você já fez a sua parte e agora depende só dos juízes. Decidi não olhar, mas todo mundo começou a falar comigo e bateu um desespero enorme. O (técnico) Marcos (Goto) tentou me acalmar e eu comecei a ficar tonto e pensei que fosse desmaiar. Só não desmaiei porque não queria dar esse vexame aqui”, ri.

Para o ginasta, o que aconteceu neste domingo é o momento mais emocionante de sua vida. “Vou levar isso para sempre. Há pouquíssimo tempo nem me colocavam na equipe olímpica e eu não era nem titular do time. Aí eu me classifiquei para a Olimpíada. Depois, fiquei em quarto no primeiro dia, o que já foi a realização de um sonho. Muitas pessoas falaram que eu não conseguiria, mas eu nunca deixei de acreditar. Parece que eu tirei um caminhão das minhas costas. O mais difícil nem foi essa medalha, mas eu me propor a estar mais uma vez em uma Olimpíada”, confessa.

‘Medalha coletiva’

Apesar de ser o protagonista de sua reviravolta, o ginasta enxerga muita gente por detrás de seu feito: “Essa medalha é da minha irmã (a ginasta Daniele Hypólito), do meu pai, de todas as pessoas que acreditaram em mim. É uma medalha coletiva, uma medalha do Brasil. Isso mostra para o nosso povo que a gente tem sim que sonhar, e sonhar alto. Nunca desistam dos sonhos de vocês”.

(*) Com informações da ECB.