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O trio desafiador de Estrelas Além do Tempo: racismo e feminismo em um só filme. Foto: DivulgaçãoO trio desafiador de Estrelas Além do Tempo: racismo e feminismo em um só filme. Foto: Divulgação

Avante e para o alto

(brpress) - Mesclando racismo e feminismo, Estrelas Além do Tempo mostra que o céu não é o limite para as primeiras mulheres negras contratadas pela Nasa. Por Juliana Resende.

(brpress) – Chegando ao Brasil em 02/02, o filme Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, 2016) levou um dos mais disputados prêmios do SAG (Screen Actor’s Guild, o Sindicato dos Atores de Hollywood) 2017: o de Melhor Elenco – estrelado por três atrizes negras: Octavia Spencer, Janelle Monae e Taraji P. Henson. O filme, que estreia no Brasil nesta quinta (02/02), também vem servindo de cala-boca para aqueles que chiaram no ano passado contra o racismo no Oscar. 

Este ano, a Academia de Arte e Ciências Cinematográficas de Hollywood  bateu um recorde: a indicação de também três atrizes negras como Coadjuvantes – Viola Davis, por Cercas, Naomi Harris, por Moonlight – Sob a Luz do Luar, e Octavia Spencer, por Estrelas Além do Tempo, que trata não só de racismo mas também de feminismo – e foi indicado ainda a Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado (pelo diretor Theodore Melfi).

Estrelas Além do Tempo é uma preciosidade. Não só por revelar histórias extraordinárias de meulheres até então pouco conhecidas do grande público. Mas por abordar questões sobre relações de gênero (além da diversidade) no trabalho. 

O filme é pra cima mesmo tratando de assuntos tão espinhosos (especialmente nos EUA de Donald Trump), contanto façanhas reais: a trajetória ascendente do time pioneiro de mulheres negras cientistas e sua luta para conseguir estudar, trabalhar e conquistar respeito dos chefes e colegas – na Nasa e na IBM. Elas são Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae).

Decolando

Assistimos à determinação e ousadia de mulheres negras que insistiam em ter atividade intelectual e uma carreira quando os EUA eram um grande apartheid e o supra-sumo da ambição feminina era ser uma boa esposa e dona de casa.  Esses foguetes afrodescendentes decolam ao som de uma trilha sonora (indicada ao Globo de Ouro) que é uma ode ainda que contemporânea (apesar de o filme se passar nos anos 60) à música negra americana, assinada por Pharrell Williams (bem) acompanhado por Alicia Keys, Mary J. Blige, Kim Burrell e Lalah Hathaway. 

O ritmo quase coreografado de Estrelas Além do Tempo torna o perrengue das moças, que inclui ter xícaras separadas dos demais colegas brancos e ir a um banheiro só para negras a meia hora a pé de suas mesas  mais cinematográfico – mas não menos ultrajante. 

As façanhas

Sendo a primeira negra contratada num grupo de engenheiros brancos, a matemática Katherine Goble não tarda a chamar atenção do rabugento chefe Al Harrison (Kevin Costner, num dos melhores papéis dados ao ator nos últimos tempos) depois de conseguir resolver equações que emperravam o lançamento e retorno à Terra da missão que levaria o primeiro homem à Lua. Em 2015, ela foi condecorada com a Medalha da Liberdade, mais alta honraria do governo de Barack Obama por sua inestimável contribuição.

Dorothy Vaughn tenta se esquivar dos golpes proferidos pela sua chefe branca e racista Vivian (Kirsten Dunst), enquanto trata de aprender e ensinar a linguagem de programação FORTRAN, para tornar possível a operação do computador IBM 7090 – condição sine qua non para que ela e seu time não percam o emprego. Dorothy acaba chefiando toda a equipe a serviço do IBM que conseguiu fazer a máquina funcionar (ao contrário dos próprios engenheiros da IBM). Ela só aceita a posição ao levar seu time junto. 

Mary Jackson precisa estudar para conseguir trabalhar como engenheira na Nasa. Mas só pode ir à aula à noite – quando classes da Universidade de Virginia eram ministradas numa escola exclusiva para brancos (apesar de a Suprema Corte americana ter determinado em 1954 que segregação em escolas públicas eram inconstitucionais, em 1963 as escolas ainda não eram integradas na Virginia). Ela tem de apelar para a justiça para obter uma liminar para cursar e conseguir o diploma. 

Livro

Estas histórias de superação vieram à tona graças ao livro Hidden Figures: The Story of the African-American Women Who Helped Win the Space Race (2016), de Margot Lee Shetterly, jornalista e escritora negra americana. O livro no qual o roteiro foi baseado ainda não saiu no Brasil. Shetterly também é pesquisadora e fundadora da The Human Computer Project, que está coletando dados e histórias de mulheres que trabalharam com matemáticas e engenheiras nos programas espaciais seminais dos EUA. Devem vir mais heroínas por aí.

(Juliana Resende/brpress)

Assista ao trailer de Estrelas Além do Tempo:

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.