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Ben Whishaw conversa com a BR Press no red carpet do London Film Festival. Foto: Juliana Resende/BR PressBen Whishaw conversa com a BR Press no red carpet do London Film Festival. Foto: Juliana Resende/BR Press

Ben Whishaw: de Q a espião gay e marido contrarrevolucionário

(Londres, brpress) - 2015 é ano-chave para o ator inglês conhecido pelo filme Perfume e que exala puro talento em Spectre, As Sufragistas e London Spy, nova série da BBC2. Por Juliana Resende.

(Londres, brpress) – O ator inglês Ben Whishaw – que viveu o órfão supraolfativo Sebastian Flyte, personagem central do sensacional Perfume (2006) – dá um baile como Q, o inventor do MI6, aliado de 007 e responsável por criar os gadgets e máquinas mais incríveis para que Bond desempenhe suas improváveis missões.

Encarnando um jovem Q em Skyfall e agora em Spectre (com a imensa responsabilidade de substituir o Q clássico do ator Desmond Llewelyn, que perdurou por 17 filmes da franquia e quatro décadas, até sua morte, em 1999),  não parece coincidência o fato de Ben Whishaw estrelar a série London Spy, que estreia em 09/11, na BBC2, somente no Reino Unido.

Espião que amava

Em entrevista ao jornal The Independent, Ben disse que daria “um bom espião por ser uma pessoa naturalmente muito reservada, embora não tenha nenhuma vontade de ser um”.

O ator foi convidado para apresentar a exibição de Spectre dentro do QG do MI6, o serviço secreto britânico, em Londres –  um prédio modernoso às margens do Tâmisa, no qual o diretor Sam Mendes nunca conseguiu permissão para filmar. Ben Whishaw jura que evitou usar a experiência no MI6 para seu espião em London Spy.

A série em cinco capítulos mostra o romance entre dois homens de universos completamente distintos: Danny (Ben Whishaw), um jovem agente da inteligência britânica, gay, sem casa nem trabalho fixo, que se apaixona pelo brilhante (e antissocial) Alex (Edward Holcroft), que diz trabalhar no mercado financeiro. Quando os dois percebem que são perfeitos um para o outro, Alex desaparece.

Ano-chave

Não é exagero afirmar que 2015 é um ano-chave para Ben Whishaw. Além do blockbuster Spectre, ele está em nada menos que mais quatro lançamentos importantes, sendo que em No Coração do Mar (In the Heart of the Sea, 2015), ele interpreta Herman Melville – o autor de Moby Dick.

Ben, apelido de Benjamin, faz a linha homem sensível e está perfeito também como o marido da lavadeira Maud (Carey Mulligan), a protagonista de As Sufragistas (Suffragette, 2915), filme sobre a luta pelo direito ao voto das mulheres que está fazendo bastante barulho desde que foi lançado no 59o. BFI London Film Festival, em outubro, e estreia no Brasil em 24 de dezembro.

Ben Whishaw também pode ser visto em The Lobster, outro filme exibido no Festival de Londres que tem Rachel Weisz e Colin Farrell como protagonistas e discorre sobre a necessidade (ou não) de encontrar uma cara-metade (ainda sem data de estreia no Brasil), e em A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl, 2015, nos cinemas brasileiros em fevereiro de 2016), cinebiografia da artista Lili Elbe (Eddie Redmayne, no papel da “garota” do título), que nasceu Einar Mogens Wegener e foi uma das primeiras pessoas a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero do mundo. O personagem de Ben se apaixona por Lili – em 1920.

Resistir até onde?

O ator conversou com a brpress no tapete vermelho da première de As Sufragistas no 59o. BFI London Film Festival e falou sobre seu personagem no filme: “Ele apoia sua mulher até certo ponto e depois acaba sucumbindo à pressão social e achando que ela está indo longe demais”, diz Ben sobre Sonny Watts – um dos poucos homens do filme que parecem simpatizar com a causa das sufragistas, até sua radicalização.

“Ele está lá, sempre em segundo plano, pois Maud tem de cuidar do filho do casal e depois passa a se dedicar quase que integralmente ao movimento sufragista. Acho que ele se sente como muitas mulheres se sentem com relação às atividades de seus maridos”, compara Ben. “Seu sentimento de medo e de ser relegado a segundo plano são mais fortes que seu amor por Maud consegue suportar”.

Como as mulheres

Durante a première de As Sufragistas em Londres, houve um protesto da ONG Sisters Uncut contra os cortes de verbas destinadas a projetos contra a violência doméstica, que também atinge mulheres de todas as classes sociais no Reino Unido. “Acho o protesto superválido e importante não só para promover o tema do filme – diretos iguais para mulheres e homens – mas questões atuais que afligem a população feminina”.

Ben Whishaw disse ao Independent que não tem qualquer problema em interpretar um homossexual em London Spy não só por ele ser assumidamente gay mas porque “Danny é absolutamente confortável com sua sexualidade – assim como eu sou”. No teatro, o ator já viveu um bissexual na peça inglesa Cock, de Mike Bartlett.

Ainda este ano, Ben Whishaw se divide entre maratonas promocionais que todos estes filmes exigem e ainda se prepara para coestrelar o revival de As Feiticeiras de Salem (The Crucible), de Arthur Miller, na Broadway e sob direção de Ivo van Hove, dramaturgo belga avant garde que ganhou o Olivier em 2015 por A View from the Bridge, montada no Young Vic, em Londres. O ator também é o principal cotado para viver Freddie Mercury, na biografia do vocalista do Queen, Bohemian Rapsody, ainda em pré-produção.

Ou seja: o sobrenome de Benjamin é trabalho (e talento).

(Juliana Resende/brpress)

   Veja vídeos com Ben Whishaw, supersimpático, falando no Red Carpet do London Film Festival no Instagram da brpress e no Facebook

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.