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O indigenista Sydney Possuelo, com índios Matís, quando presidia a Funai, em 1996. Foto: Arquivo PessoalO indigenista Sydney Possuelo, com índios Matís, quando presidia a Funai, em 1996. Foto: Arquivo Pessoal

Funai: aparelhamento e desmonte com Bolsonaro

Ex-presidente da Fundação Nacional do Índio, indigenista Sydney Possuelo fala também em uma política de “genocídio” intencional de povos indígenas

(brpress) – O desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips jogou luz à incompetência das autoridades brasileiras na fiscalização da Amazônia bem como o desrespeito aos povos indígenas, seja pela negação da demarcação de terras, seja pelo aparelhamento e desmonte da Funai-Fundação Nacional do Índio. 

Na última quarta (08/06), o governo federal exonerou Cesar Augusto Martinez do comando da Diretoria de Proteção Territorial da Funai, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.  Defensor do polêmico excludente de ilicitude,  foi Sergio Moro, à frente das pasta, que assinou a demissão de Bruno Pereira do cargo de Coordenador-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato no órgão público. 

Policiais em cargos-chave

Martinez, que é delegado da Polícia Federal, foi substituído por Elisabete Ribeiro Alcântara Lopes, que era assessora do presidente da Funai, Marcelo Xavier da Silva, também delegado da PF, apoiado pela bancada do agronegócio no Congresso Nacional – mesmo grupo que apoia Bolsonaro, que defende o garimpo legal e ilegal. Ele é a favor, por exemplo, da mineração em terras indígenas, o que não é permitido hoje.

A nomeação de policiais para postos de comando não faz a Funai mais eficiente, no que diz respeito ao Vale do Javari, por onde Dom e Bruno viajavam e que, segundo servidores do órgão, já teria sido identificada como uma das regiões mais conflagradas da Amazônia embora siga negligenciada pelo governo.

Povos indígenas

É sobre isso que o ex-presidente da Funai, indigenista e ativista social Sydney Possuelo (foto) vai falar no Roda Viva desta segunda-feira (13/06), às 22h. Criador do departamento de índios isolados da Funai, em 1987, Possuelo sistematizou a política do não contato e é reconhecido internacionalmente como a maior referência no tema dos isolados. Presidiu a Funai entre 1991 e 1993. 

Em seus mais de 40 anos dedicado às causas indígenas, ele fez inúmeras vezes o trajeto no qual Pereira e Phillips foram vistos pela última vez. Possuelo avalia que realizar o percurso em apenas duas pessoas e sem a presença de nativos na embarcação é algo “extremamente arriscado”.

Em entrevista a O Joio e o Trigo, Possuelo usou a palavra genocídio. “Alguns indigenistas falam que essa política é genocida. Qual sua avaliação?”, pergunta a repórter Tatiana Merlino. 

“É exatamente isso. Não demarcar a terra, não cuidar do meio ambiente onde eles vivem é propiciar o desaparecimento deles, é uma intenção clara de desaparecer com esses povos. Eu não tenho dúvida que a política executada pelo governo Bolsonaro é uma política genocida contra os povos indígenas.” 

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