Frida Kahlo em Autorretrato com Cabelo Solto (1938). Mostra disseca Frida Kahlo como ícone global
Frida: The Making of an Icon reúne trabalhos da pintora mexicana e de artistas que dialogam com ela.
(Londres, brpress) – A Tate Modern certamente viverá dias de lotação esgotada enquanto a maior mostra sobre a pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954) estiver em cartaz (de 25/06/2026 a 03/01/2027).
Frida: The Making of an Icon (‘Frida: A Construção de um Ícone’) é a maior exposição dedicada à artista já vista em 20 anos em Londres. Nossa reportagem esteve na abertura para a imprensa e traz os destaques.
Arrebatadora
Trata-se de uma exposição histórica e arrebatadora – muito superior a que passou por São Paulo, em 2016 . O mote é investigar as raízes e os desdobramentos de um dos maiores fenômenos culturais do planeta.
E a mostra vai além: coloca os trabalhos de Kahlo em diálogo direto com artistas modernos e contemporâneos de várias partes do mundo que foram influenciados por sua estética, biografia e identidade.
Fenômeno pop
Desenvolvida em colaboração com o Museum of Fine Arts de Houston e com curadoria assinada por Tobias Ostrander e Beatriz García-Velasco, a exibição traça a fascinante jornada de Frida Kahlo – de pintora relativamente desconhecida em sua época a um fenômeno pop global.
A exposição é estruturada de forma a guiar o público pelas diferentes camadas que compõem o mito de Frida, dissecando-as por meio de recortes temáticos.
Identidade
A abertura da mostra explora como Frida projetava seus múltiplos “eus” (do político ao espiritual) por meio de suas telas e de seu estilo pessoal marcante. O grande destaque fica por conta de obras icônicas como Autorretrato (Com Vestido de Veludo) (1926) e Autorretrato com Cabelo Solto (1938).
Esses quadros trazem à tona sua ancestralidade mexicana, ideais feministas, imagem queer e sua vivência como uma mulher com deficiência. Esses trabalhos aparecem ao lado de obras de artistas-chave do Muralismo e Renascimento Mexicano, como Diego Rivera e María Izquierdo.
Surrealismo
Embora Frida rejeitasse o rótulo de surrealista, o fundador do movimento, André Breton, a declarou uma “surrealista autodidata”.
Uma das grandes joias da exibição é The Frame (1938) — autorretrato adquirido pela coleção nacional francesa após a estreia de Frida em Paris —, além de telas célebres como Diego e Frida (1929) e Girl with a Death Mask (1938), expostas junto a fotografias de Kati Horna e Leonor Fini.
Política
A mostra também documenta como a imagem de Kahlo foi apropriada por movimentos sociais ao longo das décadas.
No final dos anos 1960, o movimento Chicano nos EUA a adotou como símbolo de resistência cultural e orgulho.
Nas décadas de 1970 e 1980, o avanço do feminismo no México e nos EUA reacendeu o interesse por sua representação sem filtros do corpo feminino, do parto e da sexualidade.
Aqui, seus autorretratos marcantes são colocados em diálogo direto com pioneiras da arte feminista e contemporânea, como Judy Chicago, Kiki Smith e Ana Mendieta.
Fridamania
O encerramento da exposição é dedicado à “Fridamania”. Uma sala impressionante reúne mais de 200 objetos licenciados e de produção em massa — que vão de camisetas e garrafas de tequila a bonecas Barbie e perfumes.
O objetivo é analisar criticamente como a pintora se transformou em uma marca global de consumo que reverbera muito além das telas e dos museus. Até a gastronomia a artista influencia – o chef mexicano Santiago Lastra criou um menu Frida na Tate.
Frida: The Making of an Icon deixa uma certeza: não é exagero dizer que Frida Kahlo continua a ser uma das mulheres mais influentes na história da arte.
Pela cidade
Diante desta constatação, o legado de Frida transbordou as paredes da galeria e tomou conta do espaço público da capital britânica com uma extensão urbana da Fridamania. Fique de olho nos seguintes pontos turísticos:
- Murais em Bankside: Seis murais de grande escala foram criados nas icônicas arcadas de trem da região de Bankside por artistas emergentes com menos de 25 anos (em parceria com o projeto Tate Collective), explorando a identidade, o feminismo e a resiliência de Frida.
- Carnaby Street e Soho: O famoso distrito de Carnaby Street foi transformado com a instalação artística ¡Frida Icónica!, apresentando cascatas de papel picado tradicional mexicano e um mural anamórfico que revela o perfil inconfundível da artista.
- Piccadilly Circus: Os telões gigantes de Piccadilly Circus e as paredes da estação de metrô Blackfriars exibem releituras da famosa obra Autorretrato com Colar de Espinhos e Beija-flor (1940).
Eventos especiais
Se você estiver de passagem por Londres, vale a pena conferir o evento Tate Modern Late, em 31 de julho de 2026 (uma noite dedicada a Frida com música, oficinas e performances sobre paixão e cura) , ou o Festival do Dia dos Mortos, no dia 1º de novembro.
Prepare sua caveira, já que Frida trazia em sua obra uma forte fixação pelos rituais, pela ancestralidade e pela morte.
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