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Moreno e Durvinha: Os Últimos Cangaceiros em traje a rigor. Foto: DivulgaçãoMoreno e Durvinha: Os Últimos Cangaceiros em traje a rigor. Foto: Divulgação

Cangaço mais vivo do que nunca

(Fortaleza, brpress) - 75o. aniversário de morte de Lampião e diversos lançamentos de livros e filmes reascendem a chama e o fascínio pelo movimento. Por Juliana Resende.

(Fortaleza, brpress) – Com a morte  de Candeeiro, aos 97, no final de julho – o penúltimo cangaceiro então vivo – e o 75o. aniversário de Virgulino Ferreira da Silva (Serra Talhada/PE, 4 de Junho de 1898 – Poço Redondo/SE, 28 de julho de 1938), vulgo Lampião, se completando em 28/07/13, o cangaço tem tudo para voltar à voga nestes tempos combativos de manifestações e protestos Brasil afora.

Filme
   
    Para ascender ainda mais a chama do cangaço, que parece nuncs ter se apagado, em novembro estreia em circuto nacional,   o primeiro documentário sobre o cangaço, objeto de mais de 40 longas brasileiros de ficção: Os Últimos Cancaceiros, de Wolney Oliveira.  Vencedor de Melhor Longa-metragem Ibero-americano no Docs DF 2012 – Festival de Documentários da Cidade do México,  e de outro sete prêmios, o filme conta a história dos ex-cangaceuros  Durvinha e Moreno, que fizeram parte do bando do Rei do Cangaço.

    O arretado casal de velhinhos escondeu sua verdadeira identidade e passado controverso até da sua sombra, por mais de meio século. Até que Moreno, então com 95 anos, resolveu dividir com os filhos o peso das lembranças e reencontrar parentes vivos, entre eles seu primeiro filho, deixado aos cuidados de um padre, mais de cinco décadas atrás quando ele e a mulher serviram a Lampião.

     Durvinha e Moreno esconderam sua verdadeira identidade até dos próprios filhos. O casal tinha feito parte do bando de Lampião, o principal líder do cangaço.  Nesse sentido, Wolney Oliveira coloca uma peça-chave na nossa empoeirada coleção ‘Vultos da Pátria’ – com um enfoque mais digerível, embora com um nó na garganta (melhor que uma faca), e mais aceito por descendentes de cangaceiros que a carapuça de foras-da-lei  tupiniquins. Sem julgamento moral ou de caráter, Os Últimos Cangaceiros mescla histórias pessoais e humanas com imagens inéditas e raras do cangaço.

Livros

    Falando em ineditismo e muita lorota para alguns, como um dos maiores especialistas em cangaço do Brasil, Antonio Amaury Corrêa Araújo, com a proibição do livro Lampião Mata Sete, recolhido deste novembro de 2011, por liminar xpedida pelo  juiz da 7ª Vara Cível de Aracaju, Aldo Albuquerque – a pedido de Expedita Ferreira, filha do cangaceiro, que, segundo o autor teria sido gay –, nada menis que  quatro novos lançamentos sobre o tema chegam às prateleiras.

    Autor de 14 livros sobre o assunto, Antonio Amaury está lançando em agosto uma quarta edição revista e ampliada de Asssim Morreu Lampião (Traço Editora), cuja edição anterior data de 28 anos atrás e tinha 180 páginas. “Agora são 400 páginas”, celebra Amaury.   Ele mesmo será objeto de um novo documentário sobre mitos e verdades a respeito de Lampião, rodado em agosto, pelo Centro de Estudos Euclides de Cunha, da Universidade do Estado da Bahia.

    O pesquisador aproveita para corrifgir a informação, publicada pela maioria da imprensa, de que Candeeiro seria o último cangaceiro e que ele teria sido importante no bando de Lampião. “Candeeiro ficou somente 18 meses em atividade, passando a maior parte do tempo como babá do bravo cão de Lampião, o Guarani, e fazendo guisado (os homens é que cozinhavam no cangaço). Resta vivo ainda o Vinte e Cinco, que ficou seis anos no cangaço”, informa Amaury.

    O historiador recifense Frederico Pernambucano de Mello, autor de Estrelas de Aço: A Estética do Cangaço (Escrituras Editora, 258 páginas, 2010), um belíssimo livro de arte com mais de 300 fotos, incluíndo inéditas, e prefácio de Ariano Suassuna, também assina embaixo: “Vinte Cinco está vivo e mora em Maceió”.

Raridades relançadas

     Os outros livros relançados são da Sebo Vermelho Edições e ajudam aos aficionados conhecerem melhor a saga do cangaço: o enciclopédico Quem é Quem no Cangaço, do pernambucano Paulo Medeiros Gastão; O Cabeleira, clássico de Franklin Távora; e Lampião – Sua História, primeira biografia sobre o cangaceiro, escrita em 1926 pelo paraibano Érico de Almeida.

    “É mais uma raridade da bibliografia do cangaço, para conhecimento das novas gerações”, comentou Abimael Silva,  da Sebo Vermelho, sobre a biografia pioneira escrita mais de uma década antes da morte de Lampião – história que familiares do Rei do Cangaço, como a neta Vera Ferreira, que mantém o site ww.infonet.com.br/lampiao, preferem aceitar como verdadeira.

Arte imita vida

    Mais do que nenhuma arte, o cinema e a literatura  imortalizaram a cultura  do cangaço, ora com Lampião caracterizado como uma espécie de Robin Hood, que roubava dos ricos para dar aos pobres, ora caracterizado como uma figura pré-revolucionária, que questionava e subvertia a ordem social de sua época (anos 20 até 40) e região (praticamente todos os estados nordestinos), ora como sendo o cangaço fruto da jaguncice do coronelismo vigente, ora como bandidagem pura e simples.

“Ainda há muito o que descobrir sobre o cangaço e, a exemplo de Os Últimos Cangaceiros, ele ainda deve inspirar muitas obras”, aposta Antonio Amaury.

(Juliana Resende/Especial para brpress)

Leia a reportagem completa publicada na Revista da Livraria cultura de agosto/13,

Assita ao trailer de Os últimos Cangaceiros:

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.

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