
Traficante de escravos ‘afogado’
(brpress*) - Derrubada de estátua de escravocrata em Bristol durante protestos antirracistas é classificada como “histórica” por prefeito, que promete plaqueta explicativa politicamente correta.
(brpress*) – Recentemente, Bristol, no sudoesta da Inglaterra, ganhou fama de ‘prafrentex’, especialmente em questões ambientais – vide o movimento Greve pelo Clima –, o que faz a cidade considerada uma das melhores para se viver no país. Mas o que se viu no protesto contra o racismo neste fim de semana – a derrubada da estátua do escravocrata inglês Edward Colston, erguida em 1895, por manifestantes enfurecidos ainda no calor do assassinato de George Floyd – foi “histórico”, inclusive na definição do prefeito Marvin Rees.
De origem jamaicana, o prefeito de Bristol diz que a estátua do transportador e traficante de escravos era uma “afronta” e já sofreu inúmeras petições para ser retirada, uma delas com mais de 10 mil assinaturas. Manifestantes usaram uma corda e puxaram a imagem pelo pescoço, jogando-a no rio. Sumir com uma estátua é fácil.
O difícil é apagar o legado de Colston, cuja fortuna decorrente do tráfico de escravos está por toda parte em Bristol – a começar pela Avenida Colston, uma das principais da cidade, cujo passado de fama e riqueza está intrinsecamente ligado à escravidão.
Navio negreiro
Estima-se que Colston tenha transportado cerca de 84 mil homens, mulheres e crianças da África Ocidental para serem vendidos como escravos. Durante a viagem, 19 mil morreram. Em 1680, Colston tornou-se membro da Royal African Company, que na época detinha o monopólio do comércio de escravos. O Brasil colonial, governado por Portugal – onde a abolição da escravatura só aconteceu com a Lei Áurea, sancionada em 13 de maio de 1888 – era um dos maiores clientes, juntamente com os Estados Unidos.
Os escravos comprados na África Ocidental eram marcados com as iniciais da empresa RAC, depois levados a navios e mergulhados em uma viagem de pesadelo. Em 1689, Colston havia se tornado vice-governador, pelo Partido Conservador.
O sofrimento humano nessa escala fez de Edward Colston um milionário cada vez mais influente e generoso com Bristol, tornando-se um grande patrocinador de obras – físicas e sociais. A cidade agradecia nomeando dezenas de edifícios, instituições, instituições de caridade, escolas, clubes esportivos, bares, sociedades e estradas em sua homenagem.
Por isso, sua estátua permanecia no centro de Bristol, como um “memorial de um dos filhos mais virtuosos e sábios da cidade”.
Persona non grata
Countering Colston é um movimento que quer incluir no currículo do patrono da cidade sua intensa atividade escravocrata. E, diante dos acontecimentos, a prefeitura se comprometeu que, em sua próxima plaqueta explicativa, a estátua será politicamente correta, sendo incluída a atividade “traficante de escravos” – exatamente como já foi pichado na peça e apagado.
Historiadores e especialista ouvidos pela BBC concordam que homenagens a esse tipo de gente não deveriam ocupar lugares nobres em espaços públicos e que “a história é viva” – daí a naturalidade com que enxergam a “derrubada de Colston” – que lembra, guardadas as proporções, a derrubada de Saddan Hussein no Iraque.
Os estudiosos defendem que a memória histórica não seja apagada, por mais atrocidades que venha a lembrar, mas incorporada ao seu memorial. Alertam também para que, se o mesmo destino e fúria dados à estátua de Colston for aplicado a todos escravocratas e traficantes de escravos britânicos e tudo ligado a eles, o país terá de fazer uma ampla revisão de sua política para a preservação da memória.
Por isso, o prefeito Marvin Rees afirmou que a estátua de Edward Colston deve ser mandada para um museu.
(*) Com informações da BBC.
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