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FOTO - Sandra Corveloni e Otávio Martins em cena de Side Man.DivulgaçãoFOTO – Sandra Corveloni e Otávio Martins em cena de Side Man.Divulgação

Aqui ‘jazz’ um perdedor

(São Paulo, brpress) - Em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, Side Man mostra EUA entre 1953 a 1985 nos EUA, por meio de talentoso e frustrado trompetista. Por Lucianno Maza.

(São Paulo, brpress) – Em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, Side Man estreou nos Estados Unidos, em 1998, e ganhou o Prêmio Tony de melhor texto. A peça faz um recorte histórico daquele país entre os anos de 1953 e 1985, por meio da vida de Gene Glimmer, um talentoso trompetista de jazz que atua como “sideman”, como é chamado o músico profissional que toca ou grava com um grupo ao qual não pertence.

Gene e seus amigos Jonesy, Al e Ziggy amargam a decadência do gênero musical após a Segunda Guerra com a novidade do rock n’roll e, conformistas (no sentido de não buscarem a reinvenção), só lhes esta tomar sopá no café onde a garçonete Pastsy trabalha.

 Incapaz de pensar em algo além de fazer música e manter seu estilo de vida boêmio, o protagonista conhece Terry, uma jovem então animada, com quem acaba deixando-se casar (ele não opta por isso, mas também não recusa), mesmo sabendo que jamais será capaz de virar um homem de família. Infeliz, a mulher perde sua característica alegre e ganha o vício do álcool como companheiro para sua solidão matrimonial.

Narrador

O filho deles, Clifford, cresce em meio a brigas e ausências (do pai pela noite e da mãe pelo alcoolismo). É ele quem narra a história de sua família, enquanto se prepara para finalmente libertar-se dela e rumar para outra cidade.

Com inspiração autobiográfica, o texto de Warren Leight faz um retrato melancólico e desbotado da vida destes personagens em falência, e tem em seu protagonista perdedor a representação perfeita do artista alienado absorto em sua própria vida, com o clássico drama pessoal da falta de reconhecimento, exemplificada na ausência de crédito em uma ótima crítica de uma gravação da qual participou.

Na real

Seguindo o estilo de realismo do conterrâneo Tennessee Williams, o autor rende melhor no segundo ato,  quando a ação episódica se sobrepõe aos longos diálogos da primeira parte.

 O diretor Zé Henrique de Paula – que vem se destacando no cenário teatral paulistano – concebe uma encenação de grande melancolia, coerente ao texto, injetando tempos e silêncios que ampliam esta sensação de desolação.

Sem atropelos, o elenco parece conduzido de maneira real e econômica. É emocionante acompanhar o desempenho de Otávio Martins, em estado de graça como o protagonista; preciso, o ator concebe seu “sideman” de forma sensível e melancólica, causando grande empatia com o público, numa atuação inesquecível.

Cannes

Já Sandra Corveloni (ganhadora da Palma de Ouro em Cannes pelo filme Linha de Passe) exibe instrumental de uma grande atriz, mas faz algumas opções que, em certas passagens, resultam exageradas demais, dando a sua personagem uma antipatia desinteressante.

Alexandre Slavieiro se sai bem como o narrador, principalmente nos momentos mais interiorizados do filho, como os quando surge como criança. Eric Lenate, Daniel Costa e Luciano Schwab respondem muito bem pelo trio de músicos amigos do protagonista, com Gabriela Durlo, em participação menor, mas não menos pertinente.

Sessões: quintas e sábados, às 21h; sextas, às 21h30; domingos, às 18h. Até 01/08.
Ingressos: R$10,00 a R$40,00.

Teatro Sérgio Cardoso – Rua Rui Barbosa, 153; (11) 3288-0136

(Lucianno Maza, do Caderno Teatral / Especial para brpress)

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