Acesse nosso conteúdo

Populate the side area with widgets, images, and more. Easily add social icons linking to your social media pages and make sure that they are always just one click away.

@2016 brpress, Todos os direitos reservados.

Cena das peça As MeninasCena das peça As Meninas

Tragicomédia da vida real

(São Paulo, brpress) - Maitê Proença dispensa o drama para abordar a tragédia na peça As Meninas, em cartaz do Teatro Cultura Artística Itaim. Lucianno Maza viu e recomenda.

(São Paulo, brpress) – Famosa por seus trabalhos como atriz na televisão, a atriz Maitê Proença tem firmado seu lado intelectual como escritora, seja através de livros ou de peças teatrais, como a que está em cartaz do Teatro Cultura Artística Itaim: As Meninas. Sua segunda incursão na dramaturgia é mais uma vez acompanhada pelo fiel parceiro, o comediógrafo Luiz Carlos Góes.

 A partir de uma conhecida tragédia pessoal da vida da autora (a mãe foi assassinada pelo pai), a peça se passa no velório de uma mulher que foi assassinada por seu marido. No centro da história, duas garotas: a filha, que viu a mãe ser morta pelo pai, e sua curiosa e participativa amiga, um tanto sem noção da gravidade do acontecimento.

 Sem drama

 As meninas, ao lado da avó turrona e de outras integrantes do núcleo feminino da família, tentam compreender a desgraça que se abateu sobre elas enquanto rememoram histórias do passado deste matriarcado. Mas não se trata de uma história pesada. “Nunca quis escrever um dramalhão. Deus me livre, basta a vida!”, declarou Maitê Proença.

 O irreverente texto tem como maior encanto mostrar como as crianças encaram a morte, a visão pueril e, ao mesmo tempo, assertiva, numa espécie de crítica aos comportamentos adultos, que fazem assim um acerto de contas com a própria lembrança..

 Sensibilidade

 O mérito também é a sensibilidade com que os atores trabalham a comédia num tema tão solene e triste, fugindo de qualquer morbidez, e apostando que é possível, sim, fazer graça mesmo com a morte das mais violentas, revezando risos com lágrimas, afinal, além de engraçada, a peça é comovente e possui grande beleza em seus diálogos.

 Amir Haddad, diretor da montagem, caminha em duas linhas paralelas que se cruzam em determinado ponto: uma é a excepcional condução de suas atrizes e a fruição da cena; outra é a quebra com o uso de canções populares interpretadas pelo elenco. Este recurso, apesar de aumentar desnecessariamente o espetáculo, funciona como um respiro à uma possivel claustrofobia temática.

 Meninas

 No que diz respeito ao elenco, o destaque é Patrícia Pinho, que cria a prima amiga com certo distanciamento e autoironia, em uma interpretação deliciosa de ver e que rouba a cena. Já Sara Antunes – cujo talento já mostrou em montagens do Grupo XIX de Teatro – não se sai tão bem, por se levar a sério demais e fazer pesar o drama da orfã.

 Vanessa Gerbelli faz a falecida de forma delicada e comedida, enquanto Analu Prestes é um pouco prejudicada pela forte caracterização da avó. Completa o time Clarice Derziê Luz, que exibe grande versatilidade dando vida a diversas personagens, sempre com humor.

 Com um texto muito bom e ótimas interpretações, As Meninas é uma feliz surpresa que faz o público rir e se emocionar, refletindo sobre a forma de encarar a tragédia em nossas vidas.

Sessões: sextas, às 21h30; sábados, às 21h; e domingos, às 18h.

Ingressos: R$ 60,00 e R$ 70,00.

(Lucianno Maza, do Caderno Teatral/Especial para brpress)

Teatro Cultura Artística Itaim – Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830; (11) 3258-3344