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Marielle Franco retratada num muro em São Paulo: homenagem póstuma. Foto: brpressMarielle Franco retratada num muro em São Paulo: homenagem póstuma. Foto: brpress

José Padilha sobre Marielle e Rio: ‘Virão muitos outros assassinatos’

(São Paulo, brpress) - Diretor de O Mecanismo diz que se governos quisessem, problema da segurança pública estaria resolvido. Por Juliana Resende.

(São Paulo, brpress) – Sobre o assassinato brutal da vereadora Marielle Franco (Psol), com quatro tiros na cabeça, dia 14/03, quando trafegava no centro do  Rio dentro de um carro oficial, o cineasta José Padilha (Tropa de Elite e Narcos), comentou:  “Olho para a política de segurança pública no Rio de Janeiro e vejo um descaso recorrente”. 

Para Padilha, “o assassinato silencioso e constante, nos últimos 20 anos, de um número enorme de pessoas, diariamente, por vários motivos” mostra falta de vontade política em resolver ou melhorar a situação, que só parece piorar. 

Apesar da cada vez mais sólida carreira internacional e de viver em Los Angeles,  o diretor da série O Mecanismo, da Netflix, é caro aos problemas brasileiros e especialmente do  Rio de Janeiro, sua cidade natal. 

Para Padilha, o problema da criminalidade no Rio ocorre “essencialmente porque a polícia é daquele jeito que mostrei em Tropa de Elite: despreparada, corrupta e violenta. E não há assistência social nas comunidades carentes. No Brasil, produzimos criminosos e policiais extremamente violentos e isso não é resultado da pobreza, porque existem países mais pobres que o Brasil com índices de violência muito mais baixos”. 

Números e promessas

“Para se ter uma ideia, atualmente a polícia americana mata 240 pessoas por ano num país de 300 milhões; no Rio de Janeiro, a polícia mata 1.200, numa cidade com 11 milhões – são 40 vezes mais, isso em números oficiais”, contabiliza, respondendo à pergunta da brpress, na entrevista coletiva que concedeu em São Paulo, para falar de seu novo longa-metragem, 7 Dias em Entebbe, que estreia no Brasil em 12/04. 

“De vez em quando, acontece o assassinato de uma pessoa importante ou em circunstâncias diferenciadas que viram notícia e revelam essa realidade”, continua o cineasta. “Foi assim na Candelária, foi assim em Vigário Geral, foi assim no Ônibus 174 [título de documentário sobre o sequestro e desfecho violento de ônibus no Rio, em 2002].”

Naquela época, a comoção com o trágico episódio ganhou manchetes – mas não as redes sociais, como acontece hoje. “Eu me lembro claramente do então presidente Fernando Henrique Cardoso dizendo que estava horrorizado e que iria reformar a segurança pública. Anos depois, também me lembro de todo o discurso do Luiz Eduardo Soares, quando ocupou a Secretaria Nacional de Segurança Pública no governo Lula [afastado por pressões políticas], dizendo como o PT iria revolucionar a segurança pública.”.

Padilha é enfático: “O fato é que nem PSDB nem PT se importam com a segurança pública, porque se se importassem já teriam feito algo significativo neste sentido, especialmente para conter a máquina de execução e tortura oficial, nas prisões superlotadas, do Estado.”

‘Vai continuar’

Sobre o assassinato de Marielle, Padilha diz: “Eu não sei quem a matou, mas vejo um monte de gente falando um monte de coisas. Temos de esperar a apuração dos fatos para ver porque a execução dela realmente aconteceu. Não conhecia pessoalmente a Marielle, mas é uma perda gigantesca para o Rio de Janeiro de uma pessoa de grande valor. E isso vai continuar. Ainda teremos muitas mortes iguais a essa.”

(Juliana Resende/brpress)

Juliana Resende

Jornalista, sócia e CCO da brpress, Juliana Resende assina conteúdos para veículos no Brasil e exterior, e atua como produtora. É autora do livro-reportagem Operação Rio – Relatos de Uma Guerra Brasileira e coprodutora do documentário Agora Eu Quero Gritar.