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POLÍTICA CULTURAL - É Tudo Verdade quantifica importância da economia criativa
Seg, 16 de Março de 2020 14:58

Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, ressalta que cultu...

(São Paulo, brpress) - “Qual é a função da cultura senão fomentar e aguçar a criatividade e o questionamento?” A indagação partiu de Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural e presente na entrevista coletiva de lançamento do 25o. É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários, que acontece de  26/03 a 05/04l, em São Paulo, e de 31/03 a 05/04, no Rio – somente em sessões digitais, seguindo as recomendações de evitar aglomerações devido ao coronavírus. 

 

“Tem gente que acha que questionamento é indisciplina – ao contrário: um bom questionador precisa ter muita disciplina para fazer isso”. Eduardo Saron propõe que produtores culturais e todos que valorizam a cultura como uma área tão importante quanto saúde, segurança pública e educação se apropriem e divulguem dados e informações que evidenciam a importância de uma política cultural consistente.

 

Formação e saúde mental

 

“Mais dinheiro para a arte e cultura,pelo PISA, vai significar melhor performance na educação”, ressalta Saron, citando o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que deve incluir estas duas disciplinas nas avaliações a partir deste ano. Alguns setores acham que levar dinheiro para arte e cultura é tirar dinheiro da saúde. Precisamos provar o contrário, que somos transformadores da sociedade”, afirma o renomado gestor cultural. 

 

“Os ingleses acabam de publicar uma pesquisa provando que um dos  grandes desafios dos nossos tempos são os problemas mentais, gerados por nossas ansiedades e distúrbios – o mundo contemporâneo está produzindo comportamentos que vão sobrecarregar o sistema público de saúde britânico [NHS] e uma das soluções para mitigar problemas de saúde mental é investir em  arte e cultura”, revela Eduardo Saron. 

 

 “Isso significa que investir nestas áreas e garantir acesso da população a elas é mais barato, porque, na medida em que alguém vai para o sistema público de saúde, os custos são infinitamente maiores do que destinar recursos para a cultura”. Eduardo Saron defende que R$ 1 milhão para a cultura é um investimento profilático para a saúde e tem muito impacto na mesma. 

 

Curso

 

Estes impactos serão discutidos no seminário  e curso sobre a base de dados econômicos do Observatório Itaú Cultural, que aborda de forma multidimensional a cultura brasileira,  de 13 a 17 de abril (inscrições abertas). “Somos o segundo setor da economia que mais emprega no país. A economia criativa/cultural exporta e dá lucro a empresas que atuam na área”, diz Eduardo Saron, acrescentando que “as leis e formas de financiamento também serão explicadas”. 

 

Após o curso, um compacto de 16 horas de conteúdo sobre cultura e política cultural no Brasil será disponibilizado a jornalistas que cobrem o setor para proporcionar o cruzamento de dados, elaboração e publicação de conteúdos relacionados. 

 

 Brasil de Bolsonaro?

 

Amir Labaki, diretor do É Tudo Verdade, comentou sobre o fato de os filmes brasileiros da competição – como  –, quase todos de cineastas veteranos, serem um antídoto ao Brasil de Bolsonaro. “Posso dizer que recebemos uma imensa diversidade de formatos e realizadores, mas talvez essa presença maior de diretores que já passaram pelo festival reflita o fato de que a produção do gênero documental no Brasil está crescendo – o que é uma ótima notícia.”

 

 “São cineastas que marcaram a história do cinema brasileiro e, de maneira geral, a seleção, sim, espelha um pouco o que é chamado de o ‘Brasil de Bolsonaro’ mas é um pouco cedo”, explica Labaki. “Cinema, mesmo documentário, demora um pouco para refletir a realidade do Brasil atual. Documentário não é crônica, é arte. Então, acho que nos próximos anos teremos essa realidade mais presente na tela”. 

 

Fake news

 

 “Por outro lado,  acho que, como esta tendência de fortalecimento do populismo de extrema direita no mundo é anterior à eleição de Bolsonaro no Brasil, percebemos  na seleção internacional dos filmes que, sim, isso é muito presente nos filmes assim como a questão das fake news e do uso das mídias sociais para fortalecer o discurso de ódio e o discurso disjuntivo da democracia”, revela Labaki. 

 

(Juliana  Resende/brpress)